quinta-feira, 30 abril, 2026

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Artigo: Enquanto os números melhoram, Taquaritinga mantém a fé no ‘PT quebrou o Brasil’

Por: Raphael Anselmo** e Gustavo Girotto*

Uma parte considerável dos coletes da Faria Lima erraram o PIB. Erraram a inflação. Erraram o câmbio, o emprego, os juros e, com especial talento, erraram a Bolsa. Erraram tudo com tamanha consistência que transformaram a exceção em método — e o erro, em tese revisada.

Em 2024, anunciaram com a solenidade de quem revela um segredo de Estado que 2025 terminaria com inflação de 5%, fora da meta, fora de controle e, se possível, fora do sistema solar. Um ano depois, o IBGE — essa entidade inconveniente — resolveu atrapalhar: o IPCA fechou em 4,26%, o menor índice desde 2018 e o quinto menor desde o Plano Real. Dentro da meta. Dentro da realidade. Fora do PowerPoint.

A inflação caiu não por milagre, nem por oração coletiva no banco de investimentos, mas porque a economia real — aquela que não cabe inteira em planilha nem em brunch — resolveu funcionar. Crescimento razoável, emprego sustentado, renda andando para frente. Uma combinação considerada exótica por quem torce contra o país por motivos ideológicos, fiscais ou simplesmente emocionais.

Lula, que segundo os analistas deveria estar administrando um caos errático, cometeu o pecado capital de entregar números. No X (antigo Twitter, atual central de colapsos nervosos), celebrou o óbvio: inflação baixa significa dinheiro no bolso do trabalhador. Trabalhador com dinheiro, por sua vez, costuma desenvolver um hábito perigoso: lembrar em quem votou. Um detalhe frequentemente ignorado entre um café filtrado e outro na Oscar Freire.

O ano de 2025 terminou com sinais claros de melhora na economia brasileira — o que, convenhamos, foi extremamente deselegante com a narrativa. O risco-país caiu para 145 pontos, bem abaixo dos 261 do início do mandato. O IGP-M recuou 1,05%, ajudando famílias que não reajustam aluguel com base em “expectativas do mercado”. A isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5.000 deixou mais dinheiro circulando onde ele costuma fazer falta: na vida real.

A inflação oficial fechou dentro da meta do Banco Central, o câmbio resolveu colaborar (o dólar caiu de R$ 6,19 para R$ 5,50) e o desemprego seguiu em trajetória de queda, flertando com um dígito — algo que parecia impossível segundo os mesmos analistas que erraram tudo o que tentaram prever. A Bolsa, essa senhora sensível a qualquer boato, resolveu bater recordes e ultrapassar os 150 mil pontos, puxada por commodities e tecnologia. Um vexame para quem apostava no apocalipse.

Para 2026, claro, o discurso muda: agora é “otimismo com cautela”, expressão que em economês significa “erramos, mas não vamos admitir”. O desafio segue sendo controlar a inflação e equilibrar as contas públicas, enquanto o Banco Central observa os dados — esses mesmos que costumam ser ignorados — e avalia a redução da Selic.

Vale insistir no ponto que mais irrita certos círculos: eleição não se ganha com tese de agroexportação, nem com palestra motivacional sobre “mentalidade de pobre de direita de Taquaritinga”. Eleição se ganha — ou se perde — com três indicadores constrangedoramente simples: inflação, crescimento e emprego. O resto é barulho, live e thread indignada.

E aqui está o problema da oposição: Lula não surpreendeu apenas os adversários; surpreendeu os céticos profissionais, os editorialistas prudentes e os operadores que juravam, com convicção messiânica, que “dessa vez não ia dar”. Erraram todos. Com método, planilha e convicção.

Entramos, gostem ou não, em um ano eleitoral. E o presidente que deveria chegar combalido aparece estatisticamente saudável, politicamente competitivo e economicamente mais forte do que o roteiro previa. Enquanto isso, o atraso barulhento — esse que grita muito e entende pouco — segue afirmando que o Brasil está quebrado, mesmo quando os números insistem no contrário.

Talvez porque, fora da bolha, o Brasil real esteja indo bem. E número, quando insiste, costuma ganhar da opinião taquaritinguense, até da mais barulhenta e estagnada narrativa de caos dizendo que o PT quebrou o Brasil. E a cidade aí, acompanha o país — ou, governada pelos mesmos de sempre, segue firme na tradição de ir de mal a pior com notável disciplina? Quando tudo dá errado pra você, pode apostar: deu certo pra eles na política local.

*Raphael Anselmo é economista.

**Gustavo Girotto é jornalista.

***Os artigos publicados com assinatura não manifestam a opinião de O Defensor. A publicação corresponde ao propósito de estimular o debate dos problemas municipais, estaduais, nacionais e mundiais e de refletir as distintas tendências do pensamento contemporâneo.