quinta-feira, 30 abril, 2026

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Artigo: Educação – Dr. Abel Pereira De Souza Júnior e o reencontro com o que realmente importa

Por: Gustavo Girotto*

Durante as festividades que marcaram os 133 anos de Taquaritinga, uma solenidade se destacou não apenas pela sua importância simbólica, mas pelo profundo significado humano. Dr. Albel Pereira de Souza Júnior, médico taquaritinguense e ex-aluno do Colégio 9 de Julho, encabeçou um reencontro entre colegas de diversas gerações da instituição.

Muitos dos presentes viajaram de diferentes cantos do Brasil para participar do evento, que se afastou do comum e mergulhou na reflexão sobre o real valor da educação.

Não se tratava de mais um evento nostálgico, daqueles recheados de sorrisos. A iniciativa foi muito mais do que isso — ela trouxe à tona a verdadeira importância da escola pública e nos lembrou de que, antes dos títulos e cargos, existem os esforços, as formações e os valores. O Colégio 9 de Julho, que há décadas contribui para a formação de profissionais de excelência, foi o ponto de convergência de uma cerimônia marcada pela emoção e pela reflexão.

Em seu discurso, Dr. Albel não economizou palavras. De forma direta, ressaltou o papel fundamental da escola na formação de médicos, advogados, professores, jornalistas e, com uma pausa intencional, fez questão de citar “alguns políticos que por lá passaram”.  Sobre alguns, guardo reservas — mais usaram Taquaritinga do que realmente contribuíram por ela.

Em um país onde a educação pública é frequentemente negligenciada, o encontro se tornou uma verdadeira aula de reflexão. A solenidade foi uma lição prática sobre gratidão, memória institucional e responsabilidade. Em tempos de apagamento das raízes, Dr. Albel fez um exemplo claro de quem honra sua trajetória, sem medo de exibir com orgulho de onde veio. Exaltou os professores, alicerces e guardiões daquilo que em parte nos tornamos.

O evento e suas mensagens, observados por mim de longe, refletiram como espelho, lançando um reflexo que alcança todos. Quantos, ao atingirem posições de poder, lembram da escola que os formou? Em um cenário onde os valores parecem distorcidos, reunir antigos alunos em nome da educação e da cidade se revela um ato quase subversivo.

A homenagem ao Colégio 9 de Julho, mais do que um tributo, foi um lembrete poderoso de que o que ainda pode nos salvar é a educação com propósito, a memória viva e a coragem de afirmar, em voz alta, aquilo que muitos apenas sussurram em conversas privadas. Não se trata de um saudosismo vazio, mas de uma responsabilidade com o que somos e com o que deixamos para as futuras gerações.

Dr. Albel, com seu gesto simbólico, ensinou — mais uma vez — que a verdadeira grandeza não está apenas nos títulos acumulados ao longo da vida, mas na capacidade de reconhecer onde tudo começou. Isso não foi dito em linguagem direta, mas a mensagem estava clara.

Embora eu não tenha estado presente por questões pessoais, me sinto no dever de ex-aluno de aplaudir de pé pessoas como Dr. Albel, que sabem que o reconhecimento de nossas origens é o primeiro passo para um futuro mais íntegro e comprometido. Vida longa ao ensino público e, aos grandes profissionais deste país que, como o Dr. Abel, honram os professores e a história dos 80 anos da Escola 9 de Julho. Que venham mais Abels para transformar, e menos políticos para só prometer…

*Gustavo Girotto é jornalista.

**Os artigos publicados com assinatura não manifestam a opinião de O Defensor. A publicação corresponde ao propósito de estimular o debate dos problemas municipais, estaduais, nacionais e mundiais e de refletir as distintas tendências do pensamento contemporâneo.