terça-feira, 6 outubro, 2026
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Radiografia das urnas: Votação para deputados redesenha forças políticas e expõe avanços e perdas de lideranças em Taquaritinga

Resultados para a Assembleia Legislativa e Câmara dos Deputados funcionam como termômetro dos grupos locais; MDB e PT ampliaram votação de seus estaduais, enquanto antigos redutos apresentaram retração e novas articulações começam a desenhar o cenário político pós-eleição

Encerrado o primeiro turno das Eleições 2026, os resultados para deputado estadual e deputado federal oferecem mais do que uma relação dos candidatos preferidos pelo eleitorado de Taquaritinga. Quando observados sob a perspectiva dos apoios construídos no município, os números funcionam como uma espécie de radiografia da política local, permitindo comparar a capacidade de mobilização de partidos, ex-prefeitos, vereadores e outras lideranças que participaram diretamente das campanhas.

A leitura, entretanto, exige cautela. Voto para deputado não pode ser automaticamente convertido em voto de uma liderança local, uma vez que o eleitor pode escolher determinado candidato independentemente dos apoios recebidos. Ainda assim, quando comparados os redutos eleitorais declaradamente trabalhados pelos diferentes grupos, os resultados ajudam a dimensionar tendências, crescimento ou retração das bases políticas.

Nesse cenário, MDB e PT aparecem entre os grupos que apresentaram crescimento na votação de seus candidatos estaduais, enquanto lideranças tradicionais enfrentaram resultados inferiores aos registrados por seus antigos redutos.

Grupo ligado ao MDB amplia votação para deputado estadual

No campo do MDB, grupo local liderado pelo ex-prefeito Tato Nunes, a comparação apresentada entre as duas últimas eleições gerais mostra crescimento.

Em 2022, os candidatos estaduais apoiados pelo grupo, Itamar Borges, Jorge Caruso e Léo Oliveira, somaram 2.006 votos em Taquaritinga. Em 2026, considerando os candidatos estaduais vinculados à articulação local, a soma chegou a 3.460 votos.

A diferença representa 1.454 votos a mais, crescimento aproximado de 72,5% em relação ao resultado utilizado como referência de 2022.

O desempenho ganha relevância na leitura do atual tabuleiro político porque ocorre depois das disputas municipais de 2024 e em um momento de reorganização das principais forças partidárias da cidade. Embora não seja possível atribuir todos esses votos exclusivamente à influência de uma única liderança, a expansão demonstra que as candidaturas trabalhadas pelo grupo conseguiram aumentar sua presença entre os eleitores.

Dentro dessa articulação, Léo Oliveira obteve 1.171 votos. O candidato contou com o trabalho político de Caio Forcel, que quatro anos antes havia alcançado cerca de 4 mil votos em sua própria candidatura a deputado estadual, além do apoio da secretária municipal de Educação, Rita Ramalho, e da ex-vereadora Dra. Márcia Zucchi.

O número atual, contudo, não deve ser comparado diretamente aos aproximadamente 4 mil votos obtidos anteriormente por Forcel, já que se trata de candidatos, campanhas e contextos eleitorais distintos. O resultado serve principalmente para demonstrar a dimensão do reduto mobilizado em favor de Léo Oliveira neste pleito.

PT cresce 20% na disputa estadual

Outro grupo que apresentou avanço foi o PT, liderado localmente por Renato Scardoelli. Os candidatos petistas a deputado estadual apoiados no município passaram de 3.003 votos em 2022 para 3.595 em 2026.

São 592 votos adicionais, o equivalente a crescimento próximo de 20%.

O desempenho indica manutenção e ampliação do eleitorado alcançado pelas candidaturas estaduais ligadas ao partido. Assim como ocorre com os demais agrupamentos, o resultado não permite afirmar que todos os votos pertençam politicamente a determinada liderança, mas fornece um indicador objetivo sobre a evolução das candidaturas trabalhadas pelo campo partidário entre duas eleições gerais.

Em um cenário marcado pela fragmentação dos apoios, superar a votação obtida quatro anos antes representa um dado relevante para qualquer organização que pretenda avaliar sua capacidade de mobilização futura.

Luciano Azevedo e Aristeu Silva enfrentam votação reduzida em seus redutos

Se alguns grupos ampliaram os números, outros tiveram desempenho mais modesto.

O ex-prefeito Luciano Azevedo apoiou a candidatura da Delegada Graciela para deputada estadual, que recebeu 242 votos em Taquaritinga. Para deputado federal, o nome apoiado foi Eleuses Filho, que contabilizou 123 votos no município.

Somadas apenas como referência da dimensão eleitoral alcançada pelas duas candidaturas em cargos diferentes, foram 365 manifestações de voto. É importante ressaltar, porém, que votos para deputado estadual e federal pertencem a disputas distintas e não constituem uma única votação eleitoral, razão pela qual a soma não deve ser interpretada como número de eleitores de um grupo.

Situação semelhante aparece na articulação do NOVO relacionada a Aristeu Silva, segundo colocado na eleição municipal de 2024. Os candidatos federais Adriana Ventura e Professor Christian Lohbauer, apoiados por ele, alcançaram juntos 140 votos em Taquaritinga.

O desempenho reduzido das candidaturas apoiadas fornece um indicador sobre a dificuldade de transferência de apoio neste pleito, mas não permite, isoladamente, determinar a força eleitoral que essas lideranças poderão apresentar em futuras eleições municipais.

Patrícia Marsico e família Modesto colocam heranças políticas à prova

A eleição também permitiu observar movimentos de grupos historicamente conhecidos no município.

A ex-primeira-dama Patrícia Marsico, apoiada por vereadores e antigos aliados da base de seu pai, o ex-prefeito Vanderlei Marsico, participou da articulação em favor de Flávia Lancha, candidata a deputada estadual, e Rodrigo Spada, candidato a deputado federal.

Flávia recebeu 866 votos, enquanto Spada alcançou 408 votos em Taquaritinga.

Os resultados mostram que o grupo preserva capacidade de mobilização, embora uma avaliação mais ampla de sua dimensão política dependa de comparação com outras eleições e, principalmente, de uma eventual disputa municipal, na qual as circunstâncias são diferentes das encontradas em eleições proporcionais estaduais e federais.

A tradicional família Modesto, representada por Maura Modesto, o vereador Véio Modesto e o ex-vereador Mauro Modesto, trabalhou para a candidata estadual Sônia Maura, de Matão. Ela recebeu 358 votos em Taquaritinga.

Marco Vinholi registra retração em antigo reduto eleitoral

Entre os resultados mais significativos da eleição para deputado federal está o de Marco Vinholi, que recebeu 2.565 votos em Taquaritinga.

O número representa uma retração importante em relação a eleições nas quais Vinholi já ultrapassou a marca de 7 mil votos no município, segundo o histórico utilizado nesta análise.

A queda chama atenção porque sua candidatura reuniu apoios de grupos conhecidos na política local, entre eles integrantes da família Modesto, o ex-vereador Marcelo Volpi e membros da família Marsico, historicamente próximos ao grupo político.

Mesmo permanecendo entre os candidatos a deputado federal com votação expressiva na cidade, Vinholi não conseguiu reproduzir o desempenho alcançado em seus melhores momentos eleitorais em Taquaritinga.

A diferença sinaliza uma redução do antigo reduto, embora as razões não possam ser determinadas apenas pelo resultado das urnas. Mudanças partidárias, pulverização de candidaturas, novos apoios e alterações no comportamento do eleitor são fatores que podem influenciar uma votação proporcional.

Salvagni, vereadores e outras lideranças também medem forças

O ex-prefeito Sérgio Salvagni direcionou seu apoio ao deputado federal João Cury (MDB), que recebeu 372 votos em Taquaritinga.

Entre integrantes do atual Legislativo municipal, os vereadores Delo Bate Bola e Meire Mazzini trabalharam em favor do deputado federal Marangoni, que contabilizou 546 votos no município. Apesar do resultado local, Marangoni não conseguiu a reeleição.

Outro caso de retração apontado na comparação com 2022 envolve o grupo de Maria Azevedo, que trabalhou pela candidatura de Rafael Silva Jr. O reduto, que havia alcançado aproximadamente 1.500 votos em 2022, terminou o pleito de 2026 com 369 votos.

Nesse caso, a redução é de aproximadamente 1.131 votos, ou cerca de 75%, tomando como referência os números apresentados para as duas eleições.

Urnas oferecem pistas, mas não antecipam uma eleição municipal

A fotografia produzida pelas urnas mostra um cenário político mais fragmentado e em processo de reorganização. Há grupos que ampliaram suas votações, lideranças que conseguiram preservar redutos e outras que viram candidaturas apoiadas perderem espaço.

MDB e PT saem da disputa estadual com números superiores aos registrados em 2022. Ao mesmo tempo, resultados como os de Marco Vinholi e Rafael Silva Jr. mostram que redutos anteriormente robustos podem sofrer alterações significativas de uma eleição para outra.

Isso não significa, contudo, que esteja definido o cenário de uma futura eleição municipal. Eleições gerais e municipais possuem dinâmicas distintas. A presença de candidatos locais, alianças, avaliação das administrações, composição das chapas e circunstâncias políticas do momento podem alterar profundamente o comportamento do eleitorado.

Também não existe transferência automática de votos. Um eleitor que escolheu determinado deputado apoiado por um vereador ou ex-prefeito não necessariamente seguirá essa liderança em outra disputa.

Ainda assim, a votação de 4 de outubro de 2026 oferece às forças políticas de Taquaritinga um conjunto importante de dados para avaliação. A Justiça Eleitoral disponibiliza os resultados por município, cargo e candidato, permitindo que a votação seja analisada de maneira detalhada.

Para os grupos locais, os números funcionam como um termômetro político. Eles revelam onde houve crescimento, onde antigos redutos perderam força e quais articulações conseguiram transformar apoio político em votos para seus candidatos.

O resultado final deixa uma conclusão mais prudente do que qualquer proclamação antecipada de vencedores e derrotados locais: o tabuleiro político de Taquaritinga está em movimento. As urnas de 2026 não determinam o futuro, mas oferecem uma fotografia objetiva das forças que conseguiram mobilizar o eleitorado neste momento e fornecem pistas importantes sobre as disputas políticas que ainda virão.