sábado, 3 outubro, 2026
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Artigo: 6 livros infantojuvenis que você só entende de verdade depois de adulto

Por: Tainara Ferreira*

É comum pensar que livros infantojuvenis são “só para crianças”, leituras simples, feitas para entreter por algumas páginas e depois serem deixadas de lado quando crescemos. Mas, afinal, por que será que tantos adultos continuam voltando a essas histórias, ou até as descobrindo pela primeira vez já na vida adulta?

Como professora do Ensino Fundamental, vejo isso de perto todos os dias: livros que, à primeira vista, parecem simples, carregam camadas de sentido que só percebemos com mais maturidade. Uma frase que uma criança lê como aventura, um adulto lê como metáfora. É esse duplo movimento — encantar quem está descobrindo o mundo e tocar quem já viveu um pouco dele — que torna certas obras atemporais.

Para provar que a boa literatura infantojuvenil não tem data de validade, eu trouxe algumas indicações que valem o seu tempo:

  1. O Pequeno Príncipe — Antoine de Saint-Exupéry (1943): Já citado aqui na coluna, mas impossível não lembrar dele nesse tema: uma história sobre perder e recuperar a capacidade de ver o essencial, que só ganha mais peso com os anos.

  2. As Crônicas de Nárnia — C.S. Lewis (1950–1956): Por trás da fantasia de um guarda-roupa que leva a outro mundo, há reflexões profundas sobre fé, escolhas e sacrifício, que adultos costumam captar de forma muito diferente das crianças.

  3. O Menino Maluquinho — Ziraldo (1980): Ícone da literatura infantil brasileira, o livro traz, por trás do humor e da irreverência, reflexões sobre liberdade, infância e a importância de não perder a capacidade de brincar e sonhar, um lembrete e tanto para quem já esqueceu como fazer isso na correria do dia a dia.

  4. Extraordinário — R.J. Palacio (2012): A história de Auggie, um menino com diferenças faciais que enfrenta o primeiro ano na escola regular, é uma aula de empatia que funciona tão bem, ou até melhor, para quem já é adulto.

  5. O Meu Pé de Laranja Lima — José Mauro de Vasconcelos (1968): Também já apareceu por aqui na lista de clássicos, mas sob esse novo olhar ganha outra camada: reler Zezé na vida adulta é entender, com mais clareza e mais dor, o tanto de abandono afetivo escondido sob o humor e a imaginação de uma criança.

  6. Marcelo, Marmelo, Martelo — Ruth Rocha (1976): Clássico nacional que brinca com as palavras e a lógica infantil, mas também guarda uma crítica sutil ao mundo dos adultos e suas regras muitas vezes sem sentido.

Esses livros provam que boa literatura não se mede pela idade do leitor, mas pela verdade que carrega. Dê uma segunda chance (ou a primeira) a essas histórias. Você pode se surpreender com o quanto elas ainda têm a dizer, mesmo depois de crescido.

*Tainara Ferreira é colaboradora d’O Defensor.

**Os artigos publicados com assinatura não manifestam a opinião de O Defensor. A publicação corresponde ao propósito de estimular o debate dos problemas municipais, estaduais, nacionais e mundiais e de refletir as distintas tendências do pensamento contemporâneo.