Reconhecimento destaca atuação na preservação da memória histórica e na defesa dos direitos humanos durante o período da ditadura militar
O taquaritinguense Ico Curti recebeu, na segunda-feira (8), o diploma do Prêmio Audálio Dantas – 2026, em uma solenidade realizada na Sala Valdemir Herzog, no Sindicato dos Jornalistas de São Paulo. O reconhecimento foi concedido pelo trabalho desenvolvido no projeto Brasil: Nunca Mais, iniciativa que se tornou um dos principais registros sobre violações de direitos humanos ocorridas durante o período da ditadura militar brasileira.
O projeto premiado teve como base uma ampla pesquisa realizada ainda durante o regime militar, quando centenas de processos políticos que tramitavam no antigo Superior Tribunal Militar (STM) foram resgatados, copiados e posteriormente microfilmados. De acordo com o relato de Ico Curti, o trabalho foi realizado de forma clandestina diante do receio de que documentos considerados fundamentais para a preservação da memória histórica pudessem ser destruídos antes do fim da ditadura.
A preocupação tinha como referência episódios anteriores da história brasileira, como o ocorrido após o fim do Estado Novo, quando documentos relacionados ao período foram eliminados. Diante desse cenário, os responsáveis pelo projeto buscaram garantir que os registros permanecessem preservados e pudessem ser conhecidos pela sociedade.

A iniciativa contou com a coordenação de Dom Paulo Evaristo Arns, cuja atuação foi considerada essencial para a condução do trabalho. A análise dos documentos resultou na publicação do livro “Brasil: Nunca Mais”, obra que reuniu informações sobre prisões políticas, perseguições, torturas e outras violações cometidas pelo Estado durante a repressão.
O livro tornou-se uma referência nacional na discussão sobre memória, democracia e direitos humanos, alcançando dezenas de edições e permanecendo por longo período entre as obras mais vendidas do país. Segundo Ico Curti, o objetivo principal da publicação era contribuir para que o Brasil não repetisse períodos marcados por autoritarismo, violência e injustiças.
Durante a solenidade, o taquaritinguense dedicou o diploma recebido a Francisco Emanoel Penteado, conhecido como Chiquinho, também de Taquaritinga, que foi vítima da repressão durante a ditadura militar. Segundo Curti, Chiquinho foi torturado e assassinado ainda jovem, e sua memória recebeu uma homenagem quando, durante sua atuação como vereador , uma via pública no bairro Vale do Sol recebeu seu nome.
O reconhecimento recebido por Ico Curti reforça a importância da preservação da memória histórica e do papel do jornalismo na documentação de fatos que marcaram a sociedade brasileira. A homenagem também destaca a participação de taquaritinguenses em movimentos ligados à defesa da democracia e dos direitos fundamentais.



