Por: Gabriel Bagliotti*
Existem temas que não podem ser tratados com indiferença. O combate ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes é um deles. Por isso considero extremamente importante a realização do evento “Faça Bonito”, marcado para hoje, sábado, 16 de maio, às 9h30, na Praça São Pedro Poveda, no Projeto De Mãos Dadas, em Taquaritinga.
A campanha carrega uma mensagem simples, mas extremamente necessária: conscientizar é proteger. E, sinceramente, acredito que nossa sociedade ainda precisa avançar muito quando o assunto é proteção da infância.
Muitas vezes imaginamos que crimes dessa natureza acontecem longe da nossa realidade, em grandes centros ou em famílias desconhecidas. Mas a verdade é que o abuso infantil pode estar muito mais próximo do que imaginamos. Em muitos casos, o agressor convive diariamente com a vítima. Isso torna o assunto ainda mais delicado e exige atenção constante de toda a sociedade.
Falar sobre o tema não é exagero, nem alarmismo. É responsabilidade! O silêncio sempre foi um dos maiores aliados da violência. Crianças que sofrem abuso frequentemente sentem medo, vergonha ou sequer conseguem compreender o que está acontecendo. Por isso, adultos precisam estar atentos aos sinais, ao comportamento e às mudanças emocionais que muitas vezes aparecem de forma silenciosa.
Vejo com bons olhos iniciativas comunitárias como essa, que unem instituições, entidades e população em torno de uma causa tão séria. O envolvimento do Projeto De Mãos Dadas, da OAB Taquaritinga, da Comissão da Infância e Juventude e do Lions Clube mostra que a proteção da infância precisa ser construída coletivamente.
Outro ponto importante é transformar conscientização em diálogo dentro das famílias. Muitos pais ainda possuem dificuldade em conversar com os filhos sobre limites, respeito ao corpo e segurança. Só que proteger também passa pela informação. Crianças orientadas conseguem identificar situações inadequadas com mais facilidade e buscar ajuda.
A campanha “Faça Bonito” também nos lembra que denunciar é fundamental. Não podemos naturalizar comportamentos suspeitos, ignorar relatos ou tratar situações graves como “problema de família”. Quando uma criança sofre violência, toda a sociedade fracassa junto.
O Disque 100 existe justamente para isso: romper o silêncio. Denúncias podem salvar vidas, impedir novos casos e interromper ciclos de violência que, muitas vezes, atravessam gerações.
Além da importância social, o evento ainda promove integração comunitária, reunindo famílias em um ambiente de conscientização e acolhimento. Pipoca, algodão-doce, cachorro-quente e atividades abertas ao público ajudam a aproximar as pessoas de um tema difícil, mas necessário.
Eu sempre digo que uma cidade verdadeiramente desenvolvida não é apenas aquela que cresce economicamente. É aquela que protege suas crianças, valoriza sua infância e cria ambientes seguros para o futuro.
Que Taquaritinga participe, apoie e fortaleça campanhas como essa. Porque proteger crianças e adolescentes não deve ser obrigação de poucos. Deve ser compromisso permanente de todos nós.



