Por: Nadia Araujo*
Utilizo aplicativos de carona para ir de uma cidade a outra com frequência. Apesar dos cuidados redobrados que preciso ter por ser mulher, gosto da experiência; vejo como uma oportunidade de conhecer pessoas, trocar ideias e agregar novas perspectivas ao meu repertório de vida. E a carona mais recente trouxe à tona um assunto que precisei compartilhar com vocês.
Estávamos em quatro pessoas. O motorista, tentando quebrar o gelo, começou a puxar aqueles assuntos clichês: onde mora, com o que trabalha… Percebi que os outros dois passageiros não estavam muito a fim de papo, então comecei a interagir. Ele me contou que, assim como eu, havia se mudado para uma cidade maior há poucos anos e me perguntou quais lugares eu frequentava. Respondi que eu e minha “turma de amigos” costumamos ir a bares específicos.
Ele me interrompeu, surpreso: — Turma? Amigos? Como você conseguiu fazer amigos?
Fiquei sem saber o que responder. Nunca tinha me questionado sobre isso. Na minha cabeça, o processo é natural: a gente vai vivendo, encontra pessoas que se parecem minimamente conosco e elas passam a caminhar ao nosso lado. Expliquei que conheci esse grupo no trabalho. Ele, então, desabafou sobre sua dificuldade em criar vínculos, principalmente no ambiente corporativo, por ocupar um cargo de liderança.
Pronto. Isso “alugou um triplex” na minha cabeça.
Muitos especialistas defendem que não devemos fazer amizades no trabalho para “não misturar as coisas”. Mas aí você rola o feed e o próximo vídeo diz que somos seres sociais. Espera um pouco: se somos seres sociais e passamos dez horas por dia trabalhando, como não socializar? Para mim, isso parece humanamente impossível. Se eu tivesse seguido esse conselho à risca, minhas dez horas pareceriam setenta e duas. Eu não teria dado tantas risadas, não teria tido tantas conversas profundas e, certamente, não teria a minha turma.
Onde quero chegar com isso? Não se esqueça de como é fazer amigos. Tome cuidado para não se tornar aquela pessoa ranzinza que vive isolada. Esteja aberto a conhecer novas pessoas, inclusive no trabalho. Você não precisa dividir todos os segredos da vida com elas; podem ser apenas “amigos de escritório” ou de happy hour.
Quando somos mais jovens, achamos que nossos amigos precisam preencher todos os espaços da nossa existência, mas a maturidade nos ensina que não precisa ser assim. Alguém que trabalha com você pode ser um ótimo colega e, se você tiver a mesma sorte que eu, pode acabar se tornando um excelente amigo para a vida toda.



