terça-feira, 21 abril, 2026

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Coluna Clikando – Campanha de prevenção ao câncer bucal mobiliza atenção para diagnóstico precoce em Taquaritinga

Ação da Secretaria de Saúde reforça importância da conscientização, do acesso descentralizado e do engajamento da população na prevenção da doença

Por: Gabriel Bagliotti*

Confesso que, em meio a tantas pautas do cotidiano, algumas ações passam quase despercebidas por grande parte da população. No entanto, há iniciativas que, mesmo silenciosas, carregam um peso enorme quando o assunto é saúde pública. A campanha de prevenção ao câncer bucal, marcada para este sábado, 11 de abril, em nossa Cidade, é uma delas e merece atenção redobrada.

Estamos falando de um tipo de câncer que, muitas vezes, evolui de forma discreta. Lesões pequenas, incômodos aparentemente simples ou até mesmo aquela “feridinha” que não cicatriza acabam sendo ignorados. E é justamente nesse ponto que mora o perigo. A falta de informação e, principalmente, de prevenção, ainda é um dos maiores desafios quando o assunto é diagnóstico precoce.

Como jornalista, sempre defendo que campanhas públicas precisam ir além da divulgação básica. Elas devem provocar reflexão. E, nesse caso específico, a reflexão é direta: quantas vezes nós realmente paramos para cuidar da nossa saúde bucal de forma preventiva? A resposta, na maioria das vezes, é desconfortável.

A iniciativa da Secretaria Municipal de Saúde em disponibilizar atendimento das 8h às 12h em diversas unidades, incluindo os distritos de Guariroba e Jurupema, além das UBS “Nelson Sargi”, “Antonio Abbud”, “Ederaldo Pereira Marques” e “Akio Nakashima”, mostra uma preocupação importante em descentralizar o acesso. Isso, na prática, significa facilitar a vida de quem, muitas vezes, deixa de procurar atendimento por dificuldade de locomoção ou até por falta de tempo.

E aqui entra um ponto que considero crucial: prevenção não pode ser vista como algo secundário. Em um sistema de saúde que frequentemente lida com alta demanda, investir em campanhas preventivas é uma estratégia inteligente, eficiente e, acima de tudo, humana. Detectar precocemente é reduzir sofrimento, é evitar tratamentos invasivos e é, em muitos casos, salvar vidas.

Mas também é preciso dizer que nenhuma campanha terá sucesso sem o engajamento da população. Não adianta estrutura, profissionais preparados e unidades abertas se as pessoas simplesmente não comparecem. Existe ainda uma cultura muito forte de procurar atendimento apenas quando o problema já está instalado. Precisamos mudar essa lógica.

Outro aspecto que merece destaque é o papel da informação. Muitas pessoas ainda desconhecem os fatores de risco associados ao câncer bucal, como o tabagismo, o consumo excessivo de álcool e até a exposição solar sem proteção, especialmente para quem trabalha ao ar livre. Levar esse conhecimento à população é tão importante quanto oferecer o atendimento em si.

Vejo essa campanha como uma oportunidade. Uma oportunidade de conscientização, de cuidado e de mudança de comportamento. Não se trata apenas de um atendimento pontual em uma manhã de sábado. Trata-se de criar uma cultura de prevenção que precisa ser constante.

Se queremos, de fato, uma cidade mais saudável, precisamos entender que a responsabilidade é compartilhada. O poder público faz sua parte ao oferecer estrutura e profissionais. Cabe a nós, enquanto cidadãos, dar o próximo passo.

No fim das contas, a frase que estampa a campanha resume bem tudo isso: prevenção é o melhor caminho. E, nesse caso, não é apenas um slogan. É uma verdade que pode fazer toda a diferença entre o diagnóstico precoce e o arrependimento tardio.

*Gabriel Bagliotti é jornalista responsável e diretor presidente de O Defensor.