sábado, 20 junho, 2026

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Artigo: Músculo, o órgão da longevidade que ninguém valoriza

 

Por: Arthur Micheloni*

Quando pensamos em saúde, normalmente lembramos do coração, dos pulmões, do cérebro ou dos rins. São órgãos vitais e indispensáveis para a vida. No entanto, existe uma estrutura que raramente recebe a atenção que merece, apesar de ter um papel fundamental na nossa saúde, qualidade de vida e longevidade. E estou falando do músculo!

Durante muitos anos, acreditou-se que a função dos músculos era apenas permitir os movimentos do corpo. Hoje, a ciência sabe que eles fazem muito mais do que isso. O tecido muscular atua como um verdadeiro órgão metabólico, produzindo substâncias chamadas miocinas, capazes de influenciar o funcionamento de diversos sistemas do organismo.

A quantidade de massa muscular está diretamente relacionada à saúde metabólica. Pessoas com mais músculos costumam apresentar melhor controle da glicemia, menor risco de diabetes tipo 2, menor incidência de doenças cardiovasculares e maior capacidade funcional ao longo da vida. Em outras palavras, o músculo ajuda o corpo a utilizar melhor a energia, controlar inflamações e manter o equilíbrio de diversas funções fisiológicas.

O problema é que começamos a perder massa muscular de forma natural a partir dos 30 anos de idade. Esse processo se acelera após os 50 anos e pode se tornar ainda mais intenso com o sedentarismo, alimentação inadequada e algumas doenças crônicas. Quando essa perda se torna significativa, surge uma condição chamada sarcopenia, caracterizada pela redução progressiva da força e da massa muscular.

A sarcopenia não afeta apenas a estética ou a capacidade de praticar exercícios. Ela está associada ao aumento do risco de quedas, fraturas, hospitalizações, perda da independência e até mesmo maior mortalidade. Muitos idosos não perdem a autonomia porque envelheceram, perdem porque deixaram de preservar a musculatura ao longo dos anos.

Curiosamente, muitas pessoas passam décadas focadas exclusivamente em perder peso. A balança se torna a principal referência de saúde. Entretanto, perder peso sem preservar a massa muscular pode ser um erro. O mais importante não é apenas pesar menos, mas manter uma composição corporal saudável, com quantidade adequada de músculos e menor excesso de gordura.

Nesse contexto, a prática regular de exercícios físicos, especialmente os exercícios de força, assume papel fundamental. A musculação, por exemplo, deixou de ser uma atividade voltada apenas para atletas ou pessoas interessadas em estética. Hoje, ela é reconhecida como uma das ferramentas mais importantes para a prevenção de doenças, manutenção da independência funcional e promoção da longevidade.

A alimentação também exerce influência decisiva. O consumo adequado de proteínas, associado a uma dieta equilibrada e individualizada, fornece os nutrientes necessários para a manutenção e recuperação do tecido muscular. Além disso, fatores como sono de qualidade, controle do estresse e acompanhamento profissional adequado contribuem para a preservação da saúde muscular ao longo da vida.

Talvez esteja na hora de mudarmos a forma como enxergamos o envelhecimento. Em vez de nos preocuparmos apenas com o peso na balança, devemos começar a valorizar aquilo que realmente nos permitirá viver mais e melhor.

O músculo não é apenas uma estrutura responsável pelos movimentos. Ele é um dos maiores aliados da saúde, da autonomia e da longevidade. Cuidar da musculatura hoje é investir na qualidade de vida de amanhã.

*Arthur Micheloni é Fisioterapeuta, Nutricionista e licenciado em Ciências Biológicas. Possui pós-graduação em Osteopatia, Fitoterapia, Ortopedia e Traumatologia, Nutrição no Transtorno do Espectro Autista e Nutrição Esportiva. Atua com abordagem baseada na Medicina Integrativa, unindo ciência e experiência clínica. drarthur@clinicamicheloni.com

**Os artigos publicados com assinatura não manifestam a opinião de O Defensor. A publicação corresponde ao propósito de estimular o debate dos problemas municipais, estaduais, nacionais e mundiais e de refletir as distintas tendências do pensamento contemporâneo.