terça-feira, 28 abril, 2026

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Crônica: O destino na palma da sua mão: do M de mãe ao M de morte

Por: Sérgio Sant’Anna*

Com certeza você já deve ter olhado nas palmas de suas mãos e identificado a letra “M”. Isso mesmo. A letra do nome da minha mãe, Maria. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o nome mais popular dentre as mulheres deste País. Um nome que adquire força, é sinônimo de fé e esperança. Dessa simplicidade substantivada, mas própria, nasce a mãe, isso – “M” de mãe. Aquela que gera. Aquela que carrega. Aquela que sofre. Aquela que renasce. Aquela que padece. Aquela que luta. Aquela que sustenta. Aquela que briga. Aquela que espera e que se desespera. Aquela é a Mãe.

Lendo o livro da psicanalista Jéssica, “Antes de ser pequena”, e sua relação conturbada com a matriarca, acabei anotando a frase que dá o título para esta crônica. Algo que já tinha percebido, porém não dará a devida importância. Fica sempre atento ao trecho do livro de Mário de Andrade, “Macunaíma”, em que a personagem principal tem suas palmas de mãos embranquecidas ao lavá-las em um riacho. Preconceito. Estrutural. Estabelecido pelo colonizador. Lembro-me bem da cena ao ver o ator Grande Otelo interpretando Macunaíma. Que filme. Não posso me esquecer do também saudoso, Paulo José. E nessa relação entre filhos e mães muita água passa por debaixo da ponte. Relações conflituosas, relações cercadas por agressões, porém relações de amor, relações de amizade, carregadas de esperança e união. Mãe é um ser sagrado. Uma entidade a ser historificada. Petrificada. Mumificada. Santificada como inúmeras. Se hoje estamos aqui é porque foram elas o canal, literalmente. Entre dores e enjoos, estamos aqui. Alguns felizes; outros, tristes. Todavia, é este o processo da vida.

Ao falar em vida, eis que o “M” que estás na palma de suas mãos manifesta-se mais uma vez. É o momento de se preparar. Há que se viver. Há que aproveitar, se deliciar com os prazeres que esta vida nos apresenta. Lembro-me sempre do filme “Sociedade dos poetas mortos” e sua máxima: “Carpe diem”. Portanto, seja você. Delicie-se com os bons momentos. As tristezas existem e são passageiras, assim como a felicidade que muitas vezes você deixa de aproveitar. Ela passará, pode até voltar, mas será num outro momento, numa outra situação, numa outra circunstância. Então, não deixe de viver. Você possui apenas uma única vez, e essa poderá ser a última – o “M” na palma da sua mão também apresenta a ti o último instante dessa sua vida – a MORTE.

Do “M” de mãe ao “M” de morte sugiro que você aproveite a vida!

*Sérgio Sant’Anna é Professor de Redação no Poliedro, Professor de Literatura no Colégio Adventista e Professor de Língua Portuguesa no Anglo.

**Os artigos publicados com assinatura não manifestam a opinião de O Defensor. A publicação corresponde ao propósito de estimular o debate dos problemas municipais, estaduais, nacionais e mundiais e de refletir as distintas tendências do pensamento contemporâneo.