sexta-feira, 1 maio, 2026

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Capítulo Zero 14: Tudo é Rio

Por: Lucas Fernando de Oliveira Fanelli

Olá,  caros leitores, espero que vocês estejam bem. Essa semana que passou eu li um livro nacional que virou queridinho por uma enchorrada de leitores e eu fui pego nessa correnteza. Se você acha que já viu de tudo em novela das oito, espere até abrir Tudo é Rio, da Carla Madeira. O livro é uma espécie de “Vale a Pena Ler de Novo” com trilha sonora de sofrência raiz, mas calma, não estou aqui para dar spoilers!! Até porque, se eu contar, você vai querer processar o jornal por danos emocionais.

A nossa querida Carla, que claramente já nadou em águas turbulentas da mente humana, nos entrega um romance que não economiza em intensidade. É como se cada página viesse com um aviso: “Prepare-se para se afogar em sentimentos”. E você, leitor inocente, mergulha achando que é só um riachinho tranquilo, pois bem, não é!

Tem casal apaixonado, tem ciúme doentio, tem prostituta com nome de tempestade tropical. E tudo isso embalado por uma escrita que escorre como rio, ora mansa, ora cheia de pedras e redemoinhos. Carla Madeira não escreve, ela deságua.

O livro é tão visceral que você termina a leitura querendo ligar para sua terapeuta, sua mãe e talvez até para o IBAMA, porque tem emoção demais para um só ecossistema. E o mais impressionante: não tem uma vírgula de sentimentalismo barato. É dor com dignidade, tragédia com poesia, e uma pitada de “meu Deus, tudo é rio, inclusive meu canal lacrimal”.

Como já indiquei um outro livro da Carla aqui, esse foi seu romance de estreia e você pode perceber o quão profundo e fluída é sua escrita já em sua primeira publicação. Carla Madeiro afundou muitas coisas nesse livro, mas a expectativa não foi uma delas. Tudo é Rio é turvo nas emoções profundas, mas cristalino na leitura.

Se você é do tipo que gosta de histórias leves, com finais felizes e personagens que se abraçam no pôr do sol… talvez seja melhor procurar outro rio para se banhar. Este aqui é para quem encara correnteza sem bóia de bracinho.

Mas se você está pronto para ser arrastado por uma narrativa que não pede licença, Tudo é Rio é o mergulho que você nem sabia que precisava. Só não diga que eu não avisei: depois da última página, você vai precisar de um tempo para secar as emoções.

* Lucas Fernando de Oliveira Fanelli é apaixonado por livros e colaborador de O Defensor.