Por: Gustavo Girotto* e Raphael Anselmo**
Em tempos de um mundo crispado, em que o extremismo de direita volta a cochichar com as sombras da intolerância, é urgente exaltar os bravos — aqueles que, mesmo com o risco da própria vida, escolheram o lado da liberdade. Francisco Emanuel Penteado, o Chiquinho, foi um deles.
Com o brado emocionado de “Chiquinho Penteado, presente!”, o taquaritinguense Reinaldo Morano Filho e Suzana Lisboa — companheira de militância nos tempos em que resistir era verbo perigoso — receberam das mãos da ministra dos Direitos Humanos, Macaé Evaristo, a certidão de óbito corrigida do militante político. Um gesto simbólico, desses que reparam, ainda que tardiamente, o que a história tentou apagar.
A ministra foi direta: “Os crimes de desaparecimento político praticados pela ditadura não prescreveram.” Sua fala soou como um lembrete incômodo — memória também é uma forma de justiça.

Nos anos mais sombrios da história recente do país, Chiquinho foi silenciado por um Estado que temia a democracia e a verdade. Sua prisão e desaparecimento marcaram uma geração que ousou sonhar com um Brasil mais livre, mais justo, mais humano. Décadas depois, sua história volta à luz, digna como sempre deveria ter sido.
A certidão entregue não é mero documento. É um gesto de reparação, um ato de coragem institucional, um grito que atravessa o tempo. É o Estado admitindo o que tentou esconder: que o amor à liberdade jamais foi — nem será — crime.
Chiquinho não morreu em vão. Sua luta vive em cada estudante que levanta uma bandeira, em cada jornalista que insiste em escrever a verdade, em cada cidadão que se recusa a abaixar a cabeça diante da injustiça. É semente e raiz — germinou na consciência coletiva e sustenta nossa coragem.
Que sua memória inspire os jovens, fortaleça os que resistem e ilumine os que ainda buscam a verdade. Chiquinho Penteado, presente. Hoje e sempre.
E, convenhamos, Taquaritinga bem que poderia criar uma Comenda Chiquinho Penteado — entregue, ano após ano, aos que defendem a democracia em qualquer trincheira. Seria um belo contraponto à legião de canalhas que, surfando nas ondas políticas da cidade, ainda insistem em posar de iluminados dos assombrados casarões erguidos com o dinheiro que devia levantar escolas e hospitais — mas foi parar em lustres de cristal, banheiras de mármore e nas reluzentes consciências de quem ainda se acha gente de bem…



