sexta-feira, 15 maio, 2026

spot_img

TOP 5 DESTA SEMANA

Notícias Relacionadas

Jogando Limpo – O Flamengo que virou sinfonia

Por: Rodrigo Panichelli*

Por muito tempo, o Flamengo foi uma orquestra desafinada: tinha o maior coral, mas sem maestro; tinha palco, mas não tinha luz; tinha paixão, mas não tinha direção. No início dos anos 2000, era quase um cover de si mesmo, vivendo de lembranças de 1981 no mundial, das faltas cobradas por  de Petković e do grito da arquibancada.

Hoje, esse mesmo Flamengo é quase uma sinfonia vienense tocada em pleno Maracanã. Tem músicos caríssimos vindos da Europa, tem solistas sul-americanos acima da média e, o mais importante, tem regência. Um clube que parecia viver de improviso, agora atua como se fosse uma filarmônica: afinado, organizado e com entradas milionárias no palco.

Se o Palmeiras virou um exemplo de gestão e uma verdadeira máquina de títulos, o Flamengo conseguiu algo mais raro: virou espetáculo. Joga em outra rotação, como se tivesse mudado a partitura do futebol brasileiro. É o time que faz adversários rezarem para não cruzar seu caminho, porque sabem que, quando a bola rola, não é só futebol. É intensidade. É rolo compressor. É ópera.

Claro que o futebol é a velha caixinha de surpresas: até sinfonia erra uma nota, até maestro troca de compasso. Esse Flamengo vai perder campeonatos, já perdeu. Mas vai ganhar muito mais do que qualquer desafino. Porque, no fundo, quando entra em campo, o que se escuta é música.

E se alguém duvidar, basta olhar a escalação — até aqui, uma orquestra com goleiro seguro, laterais que viram alas, meias que ditam o ritmo e atacantes que são quase tenores em noite de gala.

O Flamengo hoje é isso: mais do que um time, um espetáculo. Mais do que um espetáculo, uma sinfonia rubro-negra.

*Rodrigo Panichelli é colaborador d’O Defensor.