segunda-feira, 25 maio, 2026

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Nossa Palavra – Lixo, reciclagem e responsabilidade cidadã

O que cada um pode (e deve) fazer?

Vivemos a era da hiperprodução e do hiperconsumo, onde praticamente tudo o que usamos hoje vira lixo amanhã. Em Taquaritinga, como em tantos outros municípios brasileiros, a gestão dos resíduos sólidos urbanos representa um dos grandes desafios da administração pública — e também da sociedade como um todo. Se o destino do lixo é um problema coletivo, a responsabilidade pelo que descartamos deve ser, também, compartilhada.

A coleta tradicional, que percorre os bairros diariamente recolhendo toneladas de resíduos, já não dá conta da complexidade que envolve os diferentes tipos de descarte. Orgânicos, recicláveis, eletrônicos, medicamentos vencidos, resíduos da construção civil — tudo tem seu lugar certo. Mas o que mais se vê é o descarte irregular, o lixo fora do horário, sacolas rasgadas por animais e, por vezes, até entulho despejado em áreas verdes ou nas margens das estradas rurais. A pergunta que fica é: até quando vamos tratar o lixo como se ele simplesmente desaparecesse?

A responsabilidade não pode ser atribuída apenas à prefeitura. A coleta seletiva, por exemplo, depende diretamente do engajamento da população. Separar o lixo em casa ainda é um hábito distante da maioria dos lares. Em muitas residências, latas, papéis e restos orgânicos seguem o mesmo caminho: o do aterro sanitário, muitas vezes descartados sem nenhum critério. O resultado disso é mais pressão sobre o meio ambiente, mais desperdício de recursos reaproveitáveis e menos dignidade para os catadores, que poderiam trabalhar com mais segurança e eficiência.

Nas escolas, pouco se fala sobre resíduos e sustentabilidade. Nos bairros, raramente se veem pontos de descarte de recicláveis ou orientações claras sobre dias e horários de coleta. Em contrapartida, sobram sacolas plásticas, descartáveis nas calçadas e lixo acumulado em locais impróprios, formando o cenário que todos criticam, mas poucos se movem para mudar.

É preciso reverter essa lógica. O descarte consciente começa dentro de casa. Separar os resíduos, reduzir o uso de plásticos, reutilizar embalagens, doar o que ainda tem valor, levar pilhas e baterias para o ponto de coleta certo — são pequenas atitudes que, quando somadas, fazem uma enorme diferença.

Mais do que cobrar do poder público (o que é necessário), é urgente assumir uma postura propositiva como cidadãos. O lixo é nosso. A responsabilidade, também.

Se quisermos uma cidade mais limpa, sustentável e justa, precisamos abandonar a ideia de que tudo é “problema do outro”. O meio ambiente começa na esquina da nossa rua, no balde da nossa cozinha, na sacola que deixamos — ou não — jogada por aí. É tempo de refletir, agir e transformar. Afinal, cuidar do lixo é cuidar do futuro. E o futuro não espera.