domingo, 14 junho, 2026

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Podcast O Defensor: Beto Girotto analisa mudanças no perfil político de Taquaritinga e destaca desafios da administração pública

Presidente da Câmara fala sobre renovação política, participação popular e a necessidade de reestruturação da máquina pública municipal

O presidente da Câmara Municipal de Taquaritinga, Beto Girotto, comentou em entrevista ao podcast O Defensor, realizado na última sexta-feira, 31 de outubro, sobre as transformações que vêm marcando o cenário político local nas últimas décadas. Segundo ele, o perfil dos candidatos e dos vereadores taquaritinguenses mudou significativamente, acompanhando as novas demandas sociais e a necessidade de representação mais próxima da realidade popular.

Renovação e representatividade

Beto relembrou o tempo em que as sessões da Câmara eram compostas, em sua maioria, por figuras da elite local. “Antigamente, o perfil era mais elitizado, com grandes nomes da medicina, do direito e do comércio. Hoje, vemos pessoas mais simples, que conhecem de perto as dificuldades do cidadão comum — quem depende do SUS, do transporte público e dos serviços municipais”, destacou.

Para o vereador, essa mudança representa um avanço importante. “Ter representantes que vivem nos bairros e sentem o que o povo sente torna o debate político mais realista. São pessoas que conhecem as necessidades do dia a dia e buscam soluções mais próximas da população”, completou.

Participação popular e limites da Câmara

Ao falar sobre a importância da presença da população nas discussões do Legislativo, Beto ressaltou que a participação é essencial, mas precisa vir acompanhada de consciência e informação.
“A população deve sim participar e reivindicar, mas é preciso compreender os limites da Câmara. O vereador é o mensageiro das demandas da população, ele cobra e encaminha soluções, mas não executa diretamente os serviços”, explicou.

O presidente também observou que, muitas vezes, a escassez de estrutura administrativa impede a efetivação de leis e projetos. “Temos leis de todos os tipos, mas falta estrutura para fiscalizar e cumprir. Faltam fiscais, falta mão de obra e, principalmente, falta recurso”, afirmou.

Crise financeira e desafios da gestão

Outro ponto abordado foi a delicada situação financeira enfrentada pelo município. Beto destacou que a arrecadação é sazonal e que o segundo semestre costuma ser mais crítico.
“No primeiro semestre, entra o IPVA, o IPTU à vista, as taxas e os alvarás. Mas, depois disso, a arrecadação cai drasticamente. O problema é que muita gente deixa de pagar o IPTU, porque não tem corte imediato, e isso impacta diretamente os serviços da Prefeitura”, explicou.

O vereador observou que o cenário exige planejamento e transparência. “O prefeito deveria ter mostrado à população desde o início a real situação das contas públicas. Quando se paga em dia e se dá aumento, cria-se a impressão de que está tudo bem, mas a realidade é bem diferente”, ponderou.

Um olhar crítico e construtivo

Com experiência de quatro mandatos e passagem pela presidência da Câmara em dois períodos, Beto Girotto defende uma postura de diálogo, transparência e equilíbrio entre os poderes.
“É preciso coragem para reconhecer os problemas e buscar soluções realistas. Taquaritinga precisa de uma estrutura mais eficiente e de uma política baseada na verdade e no compromisso com o cidadão”, concluiu.