quarta-feira, 22 abril, 2026

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Nossa Palavra – O alento da memória

No Dia da Saudade, o reencontro com nossa essência

Nesta sexta-feira, 30 de janeiro, o calendário nos convida a uma pausa diferente. Não se trata de um vencimento fiscal como o do IPVA, que acompanhamos atentamente desde o dia 12, nem de um planejamento festivo como o do Carnaval que se aproxima. Hoje, o compromisso é com o imaterial. Comemora-se o Dia da Saudade, uma data dedicada a um sentimento que, embora universal, possui no idioma português uma sonoridade e uma profundidade que nenhuma outra língua conseguiu traduzir com tamanha precisão.

Para nós, do Jornal O Defensor, que vivemos o dia a dia desta cidade, a saudade não é apenas uma palavra; é o fio condutor que une as gerações de Taquaritinga. É a força que mantém viva a história das famílias, o respeito pelos que já partiram e o carinho pelos que estão longe, mas que carregam a nossa “Cidade Pérola” no coração.

A Saudade como Pilar da Saúde Mental

Em um mês marcado pelo Janeiro Branco, onde discutimos exaustivamente a importância do cuidado com a mente, olhar para a saudade torna-se um exercício terapêutico. Muitas vezes, a saudade é confundida com a tristeza, mas o editorial de hoje propõe uma visão diferente: a saudade é a prova de que algo foi bom, de que houve amor, conexão e significado.

Viver a saudade é, em última análise, um ato de saúde mental. É permitir-se recordar de um tempo, de um lugar ou de alguém com a gratidão de ter vivido aquela experiência. Em Taquaritinga, essa saudade se manifesta no cheiro do café nas manhãs de inverno, nas conversas de calçada que o tempo teima em querer apagar, e nos vultos queridos que frequentavam a nossa Praça da Matriz. Ao acolhermos a saudade, damos um passo importante para entender quem somos hoje. Como dizia o poeta, a saudade é o que fica daquilo que não ficou.

O Rastro da Saudade em Nossa História

Nesta semana, passamos por balanços importantes. Falamos com o Secretário de Meio Ambiente sobre as intervenções urbanas, e até ali a saudade se fez presente. Ao vermos uma árvore ser suprimida em nome da acessibilidade, sentimos a saudade da sombra que ela projetava, mas entendemos a necessidade do progresso. Falamos com o Secretário de Cultura sobre o Carnaval, e o que é o nosso Carnaval senão uma grande celebração da saudade? Saudade das antigas marchinhas, dos blocos de rua e da alegria contagiante que atravessa décadas.

A saudade também habita os corredores do IPREMT, onde a Superintendente Mariana Mársico trabalha para garantir o futuro dos servidores. Ali, a saudade é o respeito pelo tempo de serviço doado à prefeitura por tantos homens e mulheres que hoje descansam ou buscam novas metas. Até na segurança pública, discutida com o Capitão Pigossi, a saudade aparece como o desejo coletivo de retomarmos aquela Taquaritinga onde as portas podiam ficar abertas, inspirando as forças de ordem a lutar por um futuro mais seguro.

O Desafio de Viver o Agora sem Esquecer o Ontem

Vivemos em uma era de efemeridade. O Dia Internacional da Privacidade de Dados, que celebramos esta semana, nos lembrou que nossas vidas estão sendo registradas em “bits” e “nuvens”. No entanto, a saudade não se guarda em HDs. Ela se guarda no peito. O perigo da modernidade é nos tornarmos tão imediatistas a ponto de não termos tempo para sentir saudade — de estarmos tão conectados ao “próximo clique” que esquecemos de saborear o “último abraço”.

A saudade que celebramos hoje em Taquaritinga é também a saudade dos que partiram recentemente. Ontem, celebramos os 67 anos da Legião de Maria, um movimento que vive de consolar os que sofrem a saudade do luto e do abandono. É papel de um jornalismo humanizado, como o que buscamos fazer, dar espaço para que esse sentimento seja validado. Não somos apenas números, contribuintes ou eleitores; somos feitos de memórias.

Conclusão: Transformando Saudade em Esperança

Nesta “Nossa Palavra”, o convite é para que você, leitor, não fuja da saudade neste 30 de janeiro. Ligue para aquele amigo que se mudou de Taquaritinga há anos, visite o túmulo de um ente querido, ou simplesmente sente-se no sofá e folheie um álbum de fotografias físicas — aquelas que o tempo amarela, mas a alma preserva.

A saudade não deve ser uma âncora que nos prende ao passado, mas um combustível que nos impulsiona para o futuro. Se sentimos saudade de uma cidade mais arborizada, lutemos pela compensação ambiental. Se sentimos saudade de uma rádio que falava mais perto do povo, celebremos os 6 anos da Massa FM que busca essa conexão. Se sentimos saudade da proteção divina, busquemos o exemplo de São Sebastião.

Que a saudade seja sempre o lembrete de que a vida vale a pena ser vivida intensamente, para que amanhã, quando olharmos para este hoje, tenhamos a doce satisfação de sentir uma saudade mansa, serena e profundamente grata.

Feliz Dia da Saudade a todos os taquaritinguenses.