Taquaritinga reencontra sua identidade através da arte, mas ainda precisa aprender a valorizá-la
Nesta semana, tivemos o privilégio de viver algo raro e precioso: a 1ª Feira Cultural de Taquaritinga, realizada entre os dias 15 e 18 de outubro, transformou a cidade em um palco de arte, música, literatura, teatro e expressões populares. Foram dias em que o Centro Cultural São Pedro e o Boulevard Guilherme Mantese (Calçadão) se tornaram o ponto de encontro da criatividade, da sensibilidade e do orgulho de ser taquaritinguense.
Nathalia e eu levamos nosso filho Joaquim para participar das atividades, e o que vimos foi mais do que um evento — foi um ato de resistência cultural, um respiro diante da pressa do cotidiano e da ausência de espaços de convivência artística. Ver as crianças das escolas municipais, levadas por seus professores para assistir a apresentações de teatro e música, foi como testemunhar uma semente sendo plantada no coração da próxima geração.
Esse gesto simples — o de permitir que nossas crianças tenham contato com a arte — é o que define o futuro de uma sociedade. Uma cidade sem cultura é uma cidade sem memória, sem identidade, sem alma.
É preciso reconhecer o mérito da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, conduzida por Jhonatas Fidelis, que vem desempenhando um papel fundamental na reconstrução desse elo entre o poder público e a produção cultural local. Fidelis tem demonstrado um olhar sensível e estratégico, transformando ideias em ações concretas. Em reuniões do COMTUR, ele tem reiterado que a maioria das iniciativas culturais quase não gera custos ao município, justamente porque são realizadas com parcerias, criatividade e apoio de entidades estaduais e privadas. Isso mostra que fazer cultura não é gasto — é investimento.
Mas é aqui que surge um ponto que precisa ser debatido com seriedade: de nada adianta o poder público criar espaços e eventos culturais se a população não comparecer. A cultura só existe quando há plateia, quando há aplauso, quando há olhar atento. É o público que dá sentido ao palco.
Muitos reclamam que a cidade não tem lazer, que “nada acontece”, mas quando algo acontece, a ausência do público ainda fala mais alto que a música. É necessário romper esse ciclo. A cultura precisa ser entendida como parte da economia local, do turismo, da educação e da autoestima coletiva. Cada peça encenada, cada banda que toca, cada livro lançado representa um elo na construção de uma cidade mais viva, criativa e unida.
A 1ª Feira Cultural não foi apenas um evento — foi um manifesto pela valorização da arte e pela ocupação dos espaços públicos com conteúdo, beleza e reflexão. É assim que se forma uma cidade mais humana: quando a população passa a enxergar a cultura não como luxo, mas como direito e necessidade.
Taquaritinga tem talento, tem artistas, tem história e tem vontade. O que falta é participação e envolvimento social. Quando a sociedade abraça a cultura, o retorno é imediato: cresce o turismo, aquece o comércio, melhora a imagem da cidade e renasce o orgulho local.
Que a Feira Cultural não seja apenas a primeira — mas a primeira de muitas. Que sirva de inspiração para que novos projetos sejam criados e para que o taquaritinguense entenda que valorizar a cultura é valorizar a si mesmo.
Porque cidades que investem em cultura não apenas se desenvolvem — elas florescem.



