Santa Casa de Taquaritinga promove esclarecimentos sobre transmissão, sintomas e cuidados diante do avanço progressivo da doença no Brasil
A Mpox, conhecida popularmente como varíola dos macacos, voltou ao centro das atenções após registros recentes da doença no Brasil. Diante das dúvidas da população e do cenário de crescimento progressivo, a Santa Casa do município promoveu, na última semana, um momento de esclarecimento com o cardiologista Dr. Wilson Guimarães (CRM 45000) e o infectologista Dr. Daniel de Oliveira (CRM 109270), que detalharam aspectos fundamentais da infecção, desde a origem até as formas de prevenção.
Logo no início, o cardiologista destacou a importância da informação de qualidade como ferramenta essencial de cuidado coletivo. Segundo ele, a iniciativa busca orientar a população diante de um tema que tem ganhado relevância no país, inclusive com registros locais. “Nada melhor do que trazer um especialista para esclarecer o assunto de forma técnica e acessível”, pontuou.
De acordo com o infectologista, a Mpox é uma infecção viral causada pelo vírus da varíola dos símios, semelhante ao vírus da varíola humana, doença já erradicada. Historicamente, os primeiros registros ocorreram na África, ainda na década de 1960. Mais recentemente, em 2022, houve uma expansão global da doença, impulsionada principalmente pelo chamado clado 2, variante que se espalhou pela Europa e pelas Américas, com menor taxa de mortalidade em comparação ao clado 1, mais restrito ao continente africano e associado a quadros mais graves.
No que diz respeito à transmissão, o especialista foi enfático ao afirmar que o principal mecanismo ocorre por contato direto com lesões ou secreções de pessoas infectadas. Embora exista possibilidade de transmissão respiratória, ela depende de contato prolongado, o que reduz significativamente o potencial de disseminação em comparação com vírus respiratórios, como o da Covid-19. “A transmissão está muito mais associada ao contato próximo, especialmente em ambientes familiares ou entre profissionais de saúde sem proteção adequada”, explicou.
Outro ponto destacado foi o perfil epidemiológico atual da doença. Segundo dados observados no Brasil, na Europa e nas Américas, a maior incidência ocorre entre homens que fazem sexo com homens, o que levou especialistas a classificarem a Mpox também como uma infecção sexualmente transmissível (IST). No entanto, os médicos reforçam que a doença não se restringe a esse grupo, podendo atingir familiares e outros contatos próximos, dependendo das condições de exposição.
Em relação à prevenção, a principal orientação é o isolamento domiciliar imediato de pessoas com sintomas suspeitos, acompanhado pela vigilância epidemiológica. “O paciente deve procurar atendimento assim que identificar sinais da doença, para evitar a transmissão e receber as orientações adequadas”, destacou o infectologista. O uso de preservativos também é apontado como medida importante, especialmente diante do risco de transmissão por contato íntimo.
Apesar de existir vacina contra a Mpox, baseada em um vírus modificado, sua disponibilidade ainda é limitada no Brasil, sendo direcionada prioritariamente a grupos de maior risco, como profissionais de saúde e pessoas mais expostas ao vírus. Paralelamente, medidas de proteção individual e conscientização seguem como pilares no controle da doença.
No cenário nacional, entre 2022 e o final de 2025, foram registrados quase 15 mil casos de Mpox, com destaque para o estado de São Paulo, que concentra a maior incidência. Apenas na capital paulista, foram contabilizados mais de 3 mil casos, enquanto cidades do interior, como Taquaritinga, também já registraram ocorrências, ainda que em menor número. Casos recentes em municípios próximos, como Araraquara e Ribeirão Preto, contribuíram para reacender o debate e reforçar a necessidade de vigilância.
Sobre os sintomas, a doença geralmente se inicia com febre, dor de cabeça e dores no corpo, evoluindo para o surgimento de gânglios inflamados e, posteriormente, lesões cutâneas características. Essas lesões passam por diferentes estágios, desde manchas até a formação de crostas, em um processo que pode durar entre duas e quatro semanas. “As lesões costumam ser maiores que as da varicela e seguem uma evolução bem definida até a cicatrização completa”, explicou o especialista.
O diagnóstico é confirmado por meio de exame laboratorial, realizado a partir da coleta de material das lesões, com análise por PCR, que detecta a presença do vírus. O procedimento é conduzido por laboratórios oficiais, via sistema de vigilância epidemiológica, com resultados geralmente disponíveis em poucos dias.
Quanto ao tratamento, a maioria dos casos apresenta evolução benigna, sendo indicado o chamado tratamento de suporte, voltado ao alívio dos sintomas, como dor e febre, além dos cuidados locais com as lesões para evitar infecções secundárias. Casos mais graves, que envolvem complicações ou comprometimento de outros órgãos, podem exigir internação e o uso de antivirais específicos, embora essa não seja a realidade predominante.
Por fim, os especialistas reforçaram que, apesar do avanço dos casos, não há motivo para pânico, uma vez que a doença possui menor capacidade de transmissão em comparação a vírus respiratórios. Ainda assim, o momento exige atenção, responsabilidade e, sobretudo, informação qualificada.
O infectologista encerrou o encontro com um alerta direcionado especialmente às gerações mais jovens, destacando a importância da prevenção de infecções sexualmente transmissíveis. “O uso do preservativo continua sendo uma das principais formas de proteção, não apenas contra a Mpox, mas contra diversas ISTs”, concluiu.



