sábado, 18 abril, 2026

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Jogando Limpo — Quando o barulho é maior que o futebol

Por: Rodrigo Panichelli*

O clássico entre Sport Club Corinthians Paulista e Sociedade Esportiva Palmeiras, disputado na Neo Química Arena pelo Brasileirão, terminou como muitos dérbis terminam: com mais discussão do que futebol.

O placar de 0 a 0 até poderia sugerir equilíbrio. Mas, na prática, o que se viu foi um jogo travado, nervoso e tecnicamente pobre para dois times que sonham — ou dizem sonhar — com algo grande no campeonato.

Quando a bola rola pouco, o resto cresce.

E cresceu.

Teve expulsões, reclamação contra arbitragem, paralisações curiosas e, principalmente, a velha e cansativa cena de confusão no túnel que leva aos vestiários.

Nada disso ajuda a explicar futebol. Só ajuda a escondê-lo.

Porque, convenhamos: quando o personagem principal vira o árbitro, a briga, o empurrão ou a súmula… normalmente é porque o jogo não disse muita coisa.

Clássico grande não precisa de confusão para ter intensidade. Precisa de bola.

E bola foi justamente o que faltou.

Quando o pós-jogo é mais interessante que o jogo, algo está errado.

No fim, o dérbi deixou uma sensação estranha:

muito barulho, muita reclamação… e pouca bola.

Quem quer ser campeão precisa fazer o futebol aparecer mais que a confusão.

Porque, no futebol — como na vida — quando a discussão vira protagonista, normalmente é sinal de que o espetáculo foi pequeno.

E clássico entre Corinthians e Palmeiras deveria ser tudo.

Menos pequeno.

* Rodrigo Panichelli é apaixonado por futebol e colaborador de O Defensor.

**Os artigos publicados com assinatura não manifestam a opinião de O Defensor. A publicação corresponde ao propósito de estimular o debate dos problemas municipais, estaduais, nacionais e mundiais e de refletir as distintas tendências do pensamento contemporâneo.