Por: Rodrigo Panichelli*
O clássico entre Sport Club Corinthians Paulista e Sociedade Esportiva Palmeiras, disputado na Neo Química Arena pelo Brasileirão, terminou como muitos dérbis terminam: com mais discussão do que futebol.
O placar de 0 a 0 até poderia sugerir equilíbrio. Mas, na prática, o que se viu foi um jogo travado, nervoso e tecnicamente pobre para dois times que sonham — ou dizem sonhar — com algo grande no campeonato.
Quando a bola rola pouco, o resto cresce.
E cresceu.
Teve expulsões, reclamação contra arbitragem, paralisações curiosas e, principalmente, a velha e cansativa cena de confusão no túnel que leva aos vestiários.
Nada disso ajuda a explicar futebol. Só ajuda a escondê-lo.
Porque, convenhamos: quando o personagem principal vira o árbitro, a briga, o empurrão ou a súmula… normalmente é porque o jogo não disse muita coisa.
Clássico grande não precisa de confusão para ter intensidade. Precisa de bola.
E bola foi justamente o que faltou.
Quando o pós-jogo é mais interessante que o jogo, algo está errado.
No fim, o dérbi deixou uma sensação estranha:
muito barulho, muita reclamação… e pouca bola.
Quem quer ser campeão precisa fazer o futebol aparecer mais que a confusão.
Porque, no futebol — como na vida — quando a discussão vira protagonista, normalmente é sinal de que o espetáculo foi pequeno.
E clássico entre Corinthians e Palmeiras deveria ser tudo.
Menos pequeno.



