Por: Rodrigo Panichelli *
O futebol paulista talvez seja o único capaz de fazer cinco divisões parecerem cinco mundos diferentes. E todos vivos. A Série A1 terminou, as divisões de acesso também fecharam suas portas em 2026, e agora sobra apenas a charmosa Bezinha tentando manter acesa a chama do interior.
Mas existe um detalhe que pouca gente percebe: para muitos clubes paulistas, o calendário profissional acaba cedo demais. Em maio, vários times já apagam os refletores, fecham o departamento profissional e sobrevivem apenas através das categorias de base.
No Clube Atlético Taquaritinga não é diferente. A temporada profissional do Leão chegou ao fim depois da eliminação mais equilibrada de toda a Série A4. Dois empates contra a futura campeã Penapolense deixaram a clara sensação de que dali sairia o campeão. Saiu.
O CAT caiu, mas caiu competindo. E isso importa.
Agora, resta ao clube o trabalho das categorias de base, hoje coordenadas através de parcerias que, de certa forma, vêm representando bem o nome e a camisa do Taquaritinga. Meninos seguem vestindo o manto Tricolor, o clube continua vivo e a cidade ainda respira futebol.
Mas o interior também aprendeu a desconfiar. Porque o futebol paulista conhece bem parcerias rápidas, promessas imediatas e projetos que desaparecem tão rápido quanto chegam. Por isso, o torcedor do Leão não quer apenas resultados agora. Quer continuidade.
Que essa parceria seja pensada para médio e longo prazo. Que deixe estrutura, organização e legado. E principalmente: que não deixe terra arrasada quando o entusiasmo inicial acabar.
Porque clube tradicional sobrevive de memória. Mas só cresce quando alguém pensa no futuro.


