O Dono da Camisa 4: Paolo Maldini
Por: Rodrigo Panichelli*
Não é a Seleção Brasileira. É a minha seleção de todos os tempos. É uma seleção mundial. Uma escalação do coração e da razão, com base em tudo o que vi, estudei, joguei (ou pelo menos tentei jogar) e admirei ao longo da vida.
Hoje, seguimos a série e entrego a camisa 4 — o zagueiro pelo lado esquerdo. E o dono dela, para mim, é indiscutível: Paolo Maldini.
Começou como lateral-esquerdo elegante, marcador implacável e técnico refinado. Mas foi como zagueiro que o futebol viu o nascimento de uma lenda eterna. Maldini, mais que um defensor, era um arquiteto do setor defensivo. Jogava com a classe de um maestro e a firmeza de um capitão. Seu timing em desarmes, sua leitura de jogo, sua postura… era como se jogasse de smoking com chuteiras.
Maldini foi daqueles que me inspirou a jogar ali atrás, na zaga. Quando eu ainda sonhava, como todo garoto, em ser jogador de futebol, ele era a referência. E não fui só eu: para os italianos, ele foi o melhor defensor que já vestiu a camisa da Azzurra. E como contestar?
Foram 25 anos de Milan, mais de mil jogos como profissional, cinco Champions League, sete Campeonatos Italianos, e respeito unânime em todos os cantos onde a bola rola.
Na minha seleção dos sonhos, ele é o pilar da defesa.
Não por ter sido campeão do mundo (não foi).
Não por ter feito gols decisivos (não era sua função).
Mas porque jogar futebol em alto nível por um quarto de século, sempre com lealdade, talento e elegância, é coisa para os imortais.
A camisa 4 é dele.
De quem não precisava dar carrinho para ser firme, nem fazer cara feia para ser temido.
Maldini jogava bonito até ao cortar uma bola para escanteio.
E assim seguimos. Segunda a segunda, montando essa seleção com histórias, sentimentos e memória. Porque futebol, antes de ser tática, é paixão.



