quarta-feira, 29 abril, 2026

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Jogando Limpo – Brasileirão 2026: começou antes, como sempre começa torto

Por: Rodrigo Panichelli*

O Campeonato Brasileiro de 2026 já começou. E começou antes da hora, como tem sido regra num país onde o calendário nunca obedece à lógica do futebol, mas às urgências do improviso. A explicação oficial é nobre: tem Copa do Mundo no meio do ano. A prática, nem tanto. Estaduais em andamento, elencos incompletos, treinadores ainda testando peças e clubes que sequer sabem exatamente que time terão quando o campeonato “pegar pra valer”.

Mas o Brasileirão é assim mesmo: começa confuso, termina exaustivo e, no meio, sempre revela quem se planejou… e quem só gastou.

Os figurões de sempre largam na frente, ao menos no discurso. Palmeiras, Flamengo, Atlético Mineiro e Cruzeiro formam o bloco dos que entram obrigados a disputar o título — não por soberba, mas por investimento. O futebol brasileiro deixou de ser democrático há algum tempo: quem tem elenco ganha tempo, erra menos e sobrevive melhor à maratona.

O Flamengo, em especial, resolveu dobrar a aposta. O rubro-negro carioca protagonizou a contratação mais cara da história do futebol brasileiro, trazendo Lucas Paquetá como símbolo máximo de um projeto que aposta tudo no agora. Estrelas não faltam, folha salarial assusta, expectativa transborda. Falta saber o que sempre faltou quando o dinheiro fala mais alto: equilíbrio, continuidade e silêncio fora de campo.

O Palmeiras segue fazendo o que sabe: planejamento, base forte, elenco competitivo e uma naturalidade desconcertante para brigar no topo. Sem pirotecnia, mas com consistência. O Atlético Mineiro continua tentando transformar investimento em hegemonia, enquanto o Cruzeiro, com elenco recheado e discurso ambicioso, busca provar que gastar bem é diferente de gastar muito.

E aí entram eles: os cavalos paraguaios de sempre. Times que largam forte, vencem três ou quatro rodadas, inflamam redes sociais, aparecem nas manchetes — e somem quando o campeonato cobra elenco, regularidade e nervo. Todo Brasileirão tem os seus. 2026 não será exceção.

Mas o Brasileirão também vive de surpresas. Teremos um novo Mirassol? Ou o próprio Mirassol, agora mais experiente, pode novamente desafiar a lógica e incomodar quem se acostumou a tratar o campeonato como propriedade privada? No Brasil, onde o abismo financeiro cresce, surpreender virou ato de resistência.

Na parte de baixo da tabela, o cenário é o mais democrático de todos: ninguém quer ser candidato ao rebaixamento, mas muitos são. Elencos curtos, planejamento tardio, troca precoce de treinadores e a velha crença de que “depois a gente arruma”. Raramente arruma.

O Brasileirão 2026 começa antes, começa torto, começa em meio a estaduais que já deveriam ser passado. Mas começa. E, como sempre, vai separar discurso de realidade, estrela de time e investimento de competência.

Fique ligado. Porque se tem algo certo no futebol brasileiro é que 2026 ainda tem muita coisa pra acontecer — dentro e fora de campo.

* Rodrigo Panichelli é apaixonado por futebol e colaborador de O Defensor