quarta-feira, 22 abril, 2026

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Fique atento: Calor extremo desafia a saúde de cães e gatos

Ondas de calor intensificam riscos de doenças e exigem atenção redobrada de tutores com hidratação, alimentação e ambiente adequado

O aumento da frequência e da intensidade das ondas de calor no Brasil já não afeta apenas os seres humanos. Cães e gatos, especialmente os mais jovens, idosos ou de raças braquicefálicas, também estão expostos a riscos crescentes de desidratação, insolação e problemas respiratórios. O fenômeno, relacionado às mudanças climáticas globais, demanda cuidados específicos e políticas públicas voltadas ao bem-estar animal.

De acordo com dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o país registrou, em 2024, uma das maiores ondas de calor já medidas, com temperaturas acima de 40 °C em diversas regiões. Estudos da Organização Mundial da Saúde Animal (OIE) indicam que animais domésticos sofrem mais rapidamente os efeitos térmicos, já que não possuem mecanismos tão eficientes de regulação da temperatura corporal quanto os seres humanos.

No caso dos cães, a transpiração ocorre quase exclusivamente pelas patas e pela respiração ofegante. Já os gatos, apesar de mais adaptáveis, também apresentam limitações. Em ambos os casos, o excesso de calor pode provocar hipertermia, caracterizada pelo aumento perigoso da temperatura corporal, que pode levar a convulsões e até ao óbito em situações extremas.

A situação é ainda mais grave em animais de focinho curto, como buldogues, pugs e gatos persas. Esses pets têm vias respiratórias estreitas, o que reduz a capacidade de troca de calor. O risco aumenta quando são expostos a ambientes fechados, como veículos, ou a longas caminhadas em horários de maior insolação.

Outro dado relevante é que, segundo a Abinpet (Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação), cerca de 62 milhões de cães e 33 milhões de gatos vivem em lares brasileiros. Isso significa que a exposição de milhões de animais às condições climáticas extremas não é um problema isolado, mas um desafio coletivo que envolve desde os tutores até gestores públicos.

Alguns municípios brasileiros já começam a incluir políticas de proteção animal em seus planos de contingência climática. Entre as medidas mais discutidas estão campanhas de conscientização sobre hidratação, incentivo à disponibilização de sombras e bebedouros em espaços públicos e parcerias com ONGs para atendimento emergencial de animais em situação de rua durante picos de calor.

As mudanças climáticas impõem novos desafios ao cuidado com os animais de companhia. O calor extremo, cada vez mais presente no cotidiano brasileiro, exige prevenção, informação e políticas públicas que assegurem a saúde de cães e gatos. Entre a responsabilidade individual dos tutores e o papel coletivo da sociedade, proteger os animais contra os efeitos das ondas de calor é um passo essencial para promover o bem-estar e reduzir o sofrimento em um cenário climático cada vez mais instável.