quinta-feira, 14 maio, 2026

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Crônica: Justiça pelo Orelha – a barbárie humana

“A compaixão pelos animais está intimamente ligada a bondade de caráter, e pode ser seguramente afirmado que quem é cruel com os animais não pode ser um bom homem.”, Arthur Schopenhauer

Por: Sérgio Sant’Anna*

No último sábado fui feliz ao escrever sobre o acolhimento, sobre o abraço, este gesto tão simples de que inúmeros seres humanos perderam a capacidade de doá-lo. E aqui pertinho, bem próximo, tão vivo que ainda me faz chorar. Mas, a vida tem seus dias de luz e de repente é acometida da tempestade, eventos que não são naturais, e sim provocados pelos humanos. Seres que retornam à hostilidade, aconchegam-se na intolerância, cultivam o desamor, gritam a barbárie. O cão Orelha, amigo há dez anos dos moradores da Praia Brava em Florianópolis, capital de Santa Catarina, aqui, bem pertinho de casa, foi brutalmente morto por quatro adolescentes, jovens que ao invés de curtirem a vida, aproveitarem esse período do tempo vital, decidiram cruelmente matar o cão Orelha.

Não pode ser verdade, ainda acho que é mentira, porém não há como negar as provas, o Orelha foi torturado, enfiaram um prego em sua cabeça. As imagens são fortes, a crueldade desses jovens nos levam a classificá-los como psicopatas, que devem pagar pelo seu crime. Ao contrário do que vem ocorrendo, os jovens estão tutelados por seus familiares de posses, e que através de ameaças acabam coagindo as provas e de alguma forma tentando eliminá-las.O nome disso é coação. Todavia, em nota, e também pelas redes sociais, o governador de Santa Catarina manifestou-se indignado com a situação e pediu para que a Polícia Civil do estado vá até o fim das investigações. E disse haver muito a se esconder por debaixo desta situação. Portanto, ficaremos sabendo de muitos mais ocultado na morte do cachorro Orelha.

Artistas já se engajaram em campanhas, assim como entidades em defesa dos animais, casos como o de Orelha merecem uma punição rígida, mesmo as Leis sendo brandas. Seres humanos que agem dessa forma merecem punição severa. E aqui não discutiremos sobre a educação fornecida pelos familiares a estes jovens, contudo cabe um alerta: será que sou o espelho daqueles com quem convivo? Ou será que estou à mercê da educação mundana? Não sei. A este cronista não cabe julgamentos; são aceitas sim, reflexões em torno da educação doada. Porém, não podemos ser reféns de seres humanos capazes de coagirem outros para se livrarem da Justiça.

Há vinte e nove anos, 1997, cinco jovens foram capazes de atearem fogo no corpo do indígena Galdino, em Brasília, quando este dormia num terminal de ônibus. O indígena estava ali, pois  lutava pela demarcação de terras no sul da Bahia. Atitudes como esta só revelam o quão cruel é o ser humano, principalmente quando a educação é sustentada apenas pelo capital. Não há amor, e o local onde estas quatro letras se ausentam, a desumanidade é capaz de ancorar. Mesmo que tentem comprar o amor com dinheiro, este não se fará presente.

Em um ano de inúmeras datas significativas, parece que começamos à milhão conforme publicara numa crônica anterior, deveremos ser capazes sermos mais humanos. E ser humano, neste momento, é clamar por justiça no caso do cão Orelha.

*Sérgio Sant’Anna é Professor de Redação no Poliedro, Professor de Literatura no Colégio Adventista e Professor de Língua Portuguesa no Anglo.

**Os artigos publicados com assinatura não manifestam a opinião de O Defensor. A publicação corresponde ao propósito de estimular o debate dos problemas municipais, estaduais, nacionais e mundiais e de refletir as distintas tendências do pensamento contemporâneo.