quarta-feira, 22 abril, 2026

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Coluna Clikando – Um passado que insiste em não passar

Por: Gabriel Bagliotti*

A morte do ex-prefeito Vanderlei José Mársico reacende um velho e incômodo fantasma na política de Taquaritinga: o da violência associada ao poder. Infelizmente, esse não é um episódio isolado. A cidade já testemunhou, em décadas passadas, tragédias que a meu ver jamais foram completamente esclarecidas — como a morte do vereador Estevam Salvagni, nos anos 1990, e do médico e vice-prefeito Dr. Fued Simão, nos anos 2000. O que essas histórias revelam é uma sombra que persiste sobre a vida pública local e que exige enfrentamento sério, sem romantizações nem omissões.

O assassinato de Vanderlei Mársico é, sim, diferente dos casos anteriores. Vivemos hoje em um tempo de grande avanço tecnológico, com câmeras de segurança em cada esquina, rastreamento de dispositivos móveis e ferramentas modernas de investigação à disposição da polícia. A expectativa, portanto, é que a verdade venha à tona — e rápido. A sociedade não pode mais conviver com o silêncio ou a impunidade como resposta à morte de figuras públicas.

É necessário, porém, ser honesto com os fatos. Vanderlei Mársico foi uma figura controversa. Com uma trajetória política marcada por confrontos e decisões polêmicas, ele transitou da oposição radical em gestões passadas à condição de prefeito por dois mandatos consecutivos. Sua administração foi permeada por críticas severas, denúncias e, ao final, culminou em seu afastamento — o primeiro da história do município. É um erro grave transformar sua imagem, agora, em símbolo de santidade, como tentam alguns setores da imprensa local, especialmente os ligados à sua emissora de rádio. A história de um homem público deve ser contada por inteiro, com suas virtudes e contradições.

Mas é igualmente perigoso permitir que o clima de vingança ou julgamento moral turve o foco principal: a apuração do crime. Não se pode naturalizar o assassinato como um desfecho aceitável para disputas políticas ou pessoais. A democracia exige justiça, não execuções. Cabe às autoridades policiais e ao Ministério Público apurar rigorosamente os fatos, identificar os autores e expor as motivações. A cidade, e especialmente a família (a qual me solidarizo) tem o direito de saber — e a obrigação de não repetir os erros do passado.

A política de Taquaritinga precisa romper com esse ciclo trágico. A morte de Vanderlei, assim como as anteriores, deve servir de alerta para que a vida pública local seja encarada com mais responsabilidade, ética e transparência. Que esse episódio não seja mais uma página esquecida na história de nossa cidade. Que ele seja o ponto de virada. Porque enquanto continuarmos convivendo com crimes não resolvidos, ou com respostas não muito convincentes, suspeitas sem resposta, continuaremos reféns de um passado que insiste em manchar o presente.

Política é debate de ideias, de posições, mas nunca deve chegar a situações como está que estamos vivendo novamente. No final quem sofre sempre são os familiares, em alguns casos, esposas, filhos, filhas, netos e netas, que choram a dor da perda de um familiar querido. Muitas vezes diferente do político que a população conheceu!

*Gabriel Bagliotti é jornalista responsável e diretor presidente de O Defensor.