Por: Gabriel Bagliotti*
Neste domingo, 12 de outubro, celebramos uma das datas mais simbólicas e cheias de ternura do nosso calendário: o Dia das Crianças. É um dia de alegria, de sorrisos sinceros, de presentes e brincadeiras, mas também — e talvez, principalmente — um dia para refletirmos sobre o significado mais profundo da infância. Na pessoa do meu querido e amado filho, Joaquim, desejo um dia repleto de felicidade, diversão e amor a todas as crianças, que são o verdadeiro alicerce de um futuro mais humano e mais justo.
Mas, como pai e como cidadão, não consigo deixar de pensar que, enquanto muitos pequenos desfrutam de uma infância saudável, amparada pelo afeto e pela segurança, outras tantas crianças vivem uma realidade dolorosa, marcada pela vulnerabilidade, pelo abandono e, em casos ainda mais tristes, pela violência. Há crianças que enfrentam privações que nenhuma idade deveria conhecer: a fome, o medo, a negligência, os abusos físicos e psicológicos. Essas feridas, muitas vezes invisíveis, destroem o que há de mais puro na essência humana: a inocência.
A criança é, sem dúvida, um ser iluminado por Deus. Em cada olhar curioso, em cada riso espontâneo, há uma centelha de esperança, um lembrete de que o bem ainda habita o mundo. Cuidar das crianças, portanto, é cuidar daquilo que temos de mais sagrado. E isso não se resume apenas a prover o alimento, a educação ou o abrigo — por mais essenciais que esses elementos sejam. Trata-se também de preservar a alma infantil, de permitir que cada menino e menina viva plenamente a sua infância, sem pressões, sem imposições e sem a necessidade de se tornar adulto antes da hora.
Infelizmente, vivemos tempos em que a adultização precoce das crianças se tornou uma realidade preocupante. Seja pela exposição excessiva às redes sociais, pela busca desenfreada por aparências, ou mesmo pela falta de limites e orientação, temos visto meninos e meninas se perderem em um universo que não é — e não deveria ser — o deles. O brincar tem sido trocado pelo consumo; o aprendizado natural, pela pressa de ser “maduro”; a fantasia, pela dureza da realidade que muitas vezes lhes é imposta pelos próprios adultos.
Como pai, essa é uma preocupação constante. Olho para o Joaquim e vejo nele a pureza que o mundo insiste em corromper. A cada gesto inocente, a cada brincadeira imaginativa, percebo o quanto é essencial preservar esse tempo que nunca volta. A infância é curta, e é nela que se formam os valores, os princípios e as emoções que acompanharão o indivíduo por toda a vida. Permitir que uma criança viva intensamente sua infância é um ato de amor e de responsabilidade social.
É preciso que nós, adultos, nos lembremos de que a infância não pode ser tratada como uma etapa descartável, mas sim como uma base estruturante. Quando retiramos de uma criança o direito de ser criança, estamos, na verdade, roubando o futuro da sociedade. Não podemos aceitar que a pressa do mundo moderno transforme nossos filhos em pequenos adultos, carregados de preocupações, expostos a conteúdos e comportamentos que não compreendem.
Por isso, neste Dia das Crianças, mais do que presentes, brinquedos ou festas, precisamos oferecer o que há de mais valioso: tempo, atenção e amor. Precisamos estar presentes de verdade — e não apenas fisicamente. Precisamos brincar junto, conversar, ensinar, ouvir. Precisamos mostrar a eles que o mundo pode ser bom, que a bondade existe, que os valores importam.
As crianças são, como costumo dizer, o nosso combustível diário de amor e esperança. São elas que nos lembram, todos os dias, da importância de sonhar, de acreditar e de recomeçar. São elas que nos ensinam que a simplicidade pode ser a resposta para tantas das nossas inquietações adultas.
Então, pais, mães, avós, tios, professores — e todos nós que convivemos com uma criança —, preservemos a inocência dos nossos pequenos. Incentivemos o brincar, o imaginar, o rir sem motivo. Demos espaço para a fantasia, para o erro, para o aprendizado natural da vida. Porque é assim, permitindo que as crianças sejam verdadeiramente crianças, que construiremos um futuro mais leve, mais justo e mais humano.
Um dia, quando elas crescerem, poderão olhar para trás e dizer que viveram uma infância feliz, protegida e repleta de amor. E talvez, nesse instante, perceberemos que conseguimos cumprir o nosso maior papel: o de preparar o mundo — e o tempo — para acolher melhor aqueles que herdarão tudo o que deixarmos.
Que o Dia das Crianças seja, portanto, uma celebração da alegria, mas também uma convocação à consciência. Porque cuidar das crianças é, acima de tudo, cuidar da humanidade.



