Por: Gabriel Bagliotti*
Num cenário em que o esporte muitas vezes é negligenciado pelo poder público e relegado a segundo plano, ver iniciativas como o projeto Judô Para Todos, realizado pela Secretaria de Esportes de Taquaritinga em parceria com o INELC e o Governo do Estado de São Paulo, é motivo de esperança — e também de reflexão. Não apenas pela importância da modalidade em si, mas pelo que ela representa em termos de inclusão, formação cidadã e ocupação saudável dos espaços públicos.
As aulas gratuitas de judô estão sendo oferecidas na Praça da Juventude, no CAIC, com turmas distribuídas entre crianças, jovens e adultos. O projeto é conduzido pelo professor Tiago Calabrese e supervisionado por Marcela Soares, campeã mundial de Karatê e hoje diretora da Secretaria de Esportes do município. Com essa dupla à frente, não há dúvidas de que o projeto está em boas mãos, tanto tecnicamente quanto em termos de sensibilidade social.
Mas mais do que um simples programa de artes marciais, o Judô Para Todos é um exemplo claro de como políticas públicas bem estruturadas podem impactar positivamente a vida das pessoas. O judô não é apenas uma modalidade esportiva; ele é uma ferramenta de transformação. Ensina disciplina, respeito, autocontrole e, sobretudo, promove o senso de coletividade — valores que se tornam cada vez mais urgentes em uma sociedade marcada pela pressa, individualismo e falta de diálogo.
Outro ponto digno de destaque é a democratização do acesso. Em vez de centralizar as atividades em clubes privados ou centros esportivos restritos, a Secretaria de Esportes leva o esporte até a periferia da cidade, instalando as aulas na Praça da Juventude, um espaço público muitas vezes subutilizado e que ainda nem se quer foi inaugurado. Essa descentralização é vital para garantir que o esporte chegue a quem mais precisa dele: crianças em situação de vulnerabilidade, jovens em busca de propósito, adultos que buscam saúde ou recomeço.
Há, porém, um aspecto que exige atenção: a sustentabilidade do projeto. Iniciativas como essa não podem ser episódicas ou depender exclusivamente da boa vontade de governos momentâneos. Elas precisam ser institucionalizadas, ganhar força dentro da estrutura pública, receber orçamento fixo, acompanhamento pedagógico e avaliação de resultados. Só assim teremos uma política esportiva sólida, duradoura e capaz de transformar realidades de forma efetiva.
O nome do projeto — Judô Para Todos — não é um mero slogan. É um compromisso. E para que esse compromisso se cumpra de fato, é necessário que a população abrace a iniciativa, que os pais incentivem os filhos, que os espaços sejam respeitados, e que os gestores tenham coragem de mantê-lo como prioridade, mesmo diante das inúmeras pressões políticas que insistem em cortar investimentos sociais em nome de planilhas frias.
Taquaritinga dá um passo importante ao oferecer esse projeto à sua população. Mas como todo passo inicial, ele precisa ser seguido de outros. Quem sabe, no futuro próximo, outras modalidades também não ocupem nossas praças e centros comunitários? Que o Judô Para Todos sirva de modelo e inspiração para que o esporte seja, enfim, tratado como política pública essencial — e não como favor de gestão.
Se há algo que o judô ensina, é que a força não está apenas nos golpes, mas no equilíbrio, no respeito e na constância. Que esses mesmos princípios guiem a política esportiva de nossa cidade. Porque esporte é vida. E vida digna precisa ser prioridade.



