Por: Lucas Fanelli*
Olá, caro leitor, espero que esteja bem! Hoje vamos falar sobre o autor Keith Donohue que decidiu escrever um livro sobre monstros. Até aí, tudo bem. O problema é que ele resolveu colocar como protagonista um garoto que não só os vê, como também os desenha e, pior ainda, eles resolvem ganhar vida. Porque claro, nada como uma boa infância saudável com criaturas saindo do papel para aterrorizar uma família inteira.
Jack Peter, o menino em questão, é uma criança que não gosta de sair de casa. E quando digo “não gosta”, quero dizer “prefere enfrentar um exército de demônios rabiscados a colocar o pé na areia da praia”. Seus pais, coitados, passam o livro inteiro tentando entender o filho e descobrir se ele precisa de acompanhamento psicológico, acompanhamento religioso ou de um curso de desenho menos expressivo.
A narrativa brinca com o leitor como quem acende e apaga a luz de propósito só para ver sua reação. Donohue cria uma atmosfera tão gelada que você começa a achar que o vento que bateu na sua nuca não foi o ventilador, mas sim um dos monstros do Jack Peter vindo conferir se você está gostando da história.
O ritmo é lento, mas não no sentido ruim! É aquele lento que faz você pensar “algo vai pular daqui a pouco”, porém nada pula… até pular. E quando pula, você se pergunta por que estava lendo isso sozinho à noite, com a porta do quarto entreaberta.
Os pais do garoto são personagens interessantes, embora passem boa parte do tempo no modo [pais desesperados tentando manter a sanidade]. A mãe vive no limite entre a preocupação e o pânico, enquanto o pai tenta racionalizar tudo como se monstros fossem apenas uma fase, tipo gostar de dinossauros, juntar pedras bonitas encontradas na praia ou colecionar cartinha de pokémon.
O livro entrega um final que faz você repensar tudo o que leu e talvez até reconsiderar aquele desenho estranho que seu sobrinho fez e você colocou na geladeira achando fofo. Spoiler: talvez não seja.
No fim, O Menino que Desenhava Monstros é uma mistura de terror psicológico, metáfora sobre trauma e uma boa dose de “não vou dormir hoje”. Donohue acerta ao criar uma história que não precisa de sustos baratos; ela te assombra pela sugestão, pelo silêncio e pelo fato de que, sinceramente, crianças são naturalmente assustadoras quando querem.
Se você gosta de livros que fazem sua imaginação trabalhar horas extras e que te deixam olhando para seus próprios desenhos com desconfiança, este é para você. Se não gosta… bem, talvez seja melhor escolher algo com unicórnios na capa.



