sexta-feira, 17 abril, 2026

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Capítulo Zero – Belas Adormecidas

Por: Lucas Fanelli*

Olá, caro leitor, espero que esteja bem. Há quem diga que dormir é um luxo. Pois bem, Stephen King e seu filho Owen decidiram transformar o ato de tirar uma soneca em um apocalipse literário. Em Belas Adormecidas, as mulheres do planeta resolvem se enrolar num casulo e dormir. Não é ressaca, não é preguiça, é um fenômeno mundial. Resultado? Um mundo só de homens acordados. E, convenhamos, isso já soa como terror suficiente.

Imagine a cena: a quinta série tem licença para porte de armas, carteira de motorista e a professora precisou se ausentar, de forma bem resumida essa é a ambientação. O caos não vem dos monstros, mas da ausência feminina. King, como sempre, sabe onde cutucar: na ferida da masculinidade desastrada.

O livro é uma mistura de ficção científica, suspense e uma boa dose de “manual do que não fazer quando a mulher presente em sua vida está dormindo para sempre”. Há quem leia como metáfora feminista, há quem veja como um grande pesadelo coletivo. Eu vejo como um lembrete de que, sem as mulheres, o mundo vira uma versão estendida de um churrasco de domingo: barulho, fumaça e piadas do tio do pavê.

E não pense que os homens aproveitam a liberdade para construir utopias. Nada disso. Eles brigam, se matam, e transformam a cidade em uma espécie de reality show de sobrevivência. É como se King dissesse: “Quer ver o fim da civilização? Tire as mulheres da equação.”

O tom irônico do romance é que, no fundo, os homens até tentam. Tentam governar, tentam manter a ordem, mas acabam parecendo (parafraseando a Professora Minerva) um bando de babuínos bobocas balbuciando em bando. O livro é longo, cheio de personagens, e às vezes parece que o próprio King estava com insônia quando escreveu, mas funciona, pois, é divertido, é provocativo e dá vontade de abraçar sua vizinha só para agradecer por ela estar acordada.

No fim, Belas Adormecidas é menos sobre o sono e mais sobre o pesadelo da humanidade se dependesse apenas da figura masculina. E se você acha que isso é exagero, experimente passar um final de semana na montanha com os brothers.

*Lucas Fanelli é apaixonado por livros e colaborador de O Defensor.