quarta-feira, 22 abril, 2026

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Artigo: O caos da gestão pública

Diante de um patrimônio descontrolado falta controle e sobra corrupção.

Por: Igor Sant’Anna*

Vivemos uma era em que muitos desejam o poder, mas poucos compreendem o peso da responsabilidade.

O cargo público, em sua essência, não é um trono, mas um altar. E o gestor que assume o comando de um patrimônio coletivo deve entender que não administra coisas, mas administra destinos.

O ativo não é teu, gestor; mas a responsabilidade, essa é. E quando o patrimônio público, os bens, os recursos, as estruturas  se tornam descontroladas, revela-se algo muito mais profundo do que mera ineficiência administrativa,  revela-se o descontrole moral, o afastamento dos valores que deveriam guiar quem serve ao povo.

Em tempos em que a política se tornou palco de vaidades, o controle do patrimônio público virou símbolo de integridade ou de corrupção. A Bíblia nos ensina: “Quem é fiel no pouco, também é fiel no muito” (Lucas 16:10). E o que é a gestão pública senão a prova viva dessa verdade? Quem não é capaz de cuidar de um bem comum, com zelo e responsabilidade, não está apto a governar nem sobre o que é seu.

Um patrimônio descontrolado é o espelho de um governo desorganizado e, pior ainda, de uma sociedade adormecida. A ausência de controle não é só técnica; é espiritual. Quando o gestor perde o senso do dever, perde o temor de Deus. E quando o temor de Deus sai da administração, entra o caos, a corrupção e o cinismo.

É preciso devolver à política o senso de mordomia, a consciência de que o gestor é apenas o mordomo de algo maior. O patrimônio público pertence ao povo e, por consequência, pertence a Deus, pois toda autoridade é constituída por Ele (Romanos 13:1).

A polêmica é esta: muitos gestores querem o título de “autoridade”, mas fogem da palavra “servo”. Querem o prestígio do cargo, mas não o peso da cruz que ele exige. E enquanto isso, os bens se deterioram, os recursos se perdem, e o povo paga a conta.

Governar é servir. E servir é cuidar daquilo que não é teu como se fosse, sabendo que um dia prestarás contas,  não apenas ao Tribunal de Contas, mas ao Tribunal de Deus!

*Igor Sant’Anna é colaborador de O Defensor.

**Os artigos publicados com assinatura não manifestam a opinião de O Defensor. A publicação corresponde ao propósito de estimular o debate dos problemas municipais, estaduais, nacionais e mundiais e de refletir as distintas tendências do pensamento contemporâneo.