Diante de um patrimônio descontrolado falta controle e sobra corrupção.
Por: Igor Sant’Anna*
Vivemos uma era em que muitos desejam o poder, mas poucos compreendem o peso da responsabilidade.
O cargo público, em sua essência, não é um trono, mas um altar. E o gestor que assume o comando de um patrimônio coletivo deve entender que não administra coisas, mas administra destinos.
O ativo não é teu, gestor; mas a responsabilidade, essa é. E quando o patrimônio público, os bens, os recursos, as estruturas se tornam descontroladas, revela-se algo muito mais profundo do que mera ineficiência administrativa, revela-se o descontrole moral, o afastamento dos valores que deveriam guiar quem serve ao povo.
Em tempos em que a política se tornou palco de vaidades, o controle do patrimônio público virou símbolo de integridade ou de corrupção. A Bíblia nos ensina: “Quem é fiel no pouco, também é fiel no muito” (Lucas 16:10). E o que é a gestão pública senão a prova viva dessa verdade? Quem não é capaz de cuidar de um bem comum, com zelo e responsabilidade, não está apto a governar nem sobre o que é seu.
Um patrimônio descontrolado é o espelho de um governo desorganizado e, pior ainda, de uma sociedade adormecida. A ausência de controle não é só técnica; é espiritual. Quando o gestor perde o senso do dever, perde o temor de Deus. E quando o temor de Deus sai da administração, entra o caos, a corrupção e o cinismo.
É preciso devolver à política o senso de mordomia, a consciência de que o gestor é apenas o mordomo de algo maior. O patrimônio público pertence ao povo e, por consequência, pertence a Deus, pois toda autoridade é constituída por Ele (Romanos 13:1).
A polêmica é esta: muitos gestores querem o título de “autoridade”, mas fogem da palavra “servo”. Querem o prestígio do cargo, mas não o peso da cruz que ele exige. E enquanto isso, os bens se deterioram, os recursos se perdem, e o povo paga a conta.
Governar é servir. E servir é cuidar daquilo que não é teu como se fosse, sabendo que um dia prestarás contas, não apenas ao Tribunal de Contas, mas ao Tribunal de Deus!
*Igor Sant’Anna é colaborador de O Defensor.
**Os artigos publicados com assinatura não manifestam a opinião de O Defensor. A publicação corresponde ao propósito de estimular o debate dos problemas municipais, estaduais, nacionais e mundiais e de refletir as distintas tendências do pensamento contemporâneo.



