Por: Sérgio Sant’Anna
O segundo sábado do mês de janeiro terminou mais triste com o falecimento do grande teledramaturgo, Manoel Carlos. Autor de inúmeras telenovelas que aqueceram o coração de milhões de brasileiros e mexeram com seus sentimentos, o autor de “Sol de verão”, “Baila comigo”, “Felicidade”, “Por amor”, “Laços de família”, “Mulheres apaixonadas”, Páginas da vida”, “Viver a vida”, “Em família” e as que durante a década de 1970 apresentou o escritor para o Brasil como: “Maria, Maria” e a “Sucessora”. Telenovelas que adentraram para a história de nossa teledramaturgia. Crônicas que apresentaram o bairro do Leblon ao mundo e deixou claro seu amor pelo nome Helena, denominação dada às suas protagonistas.
Sua paixão pelo nome Helena surge a partir de uma adaptação que o escritor realizou diante da obra romântica do grande Machado de Assis, logo a mitologia acabou levando-o para o protagonismo de Helena de Tróia algo que o teledramaturgo guardou e conferiu o brilho nominal às suas protagonistas. Protagonistas fortes, determinadas, mas reféns dos problemas cotidianos, acostumadas às duras batalhas e prontas para o amor, abertas à vida, preparadas à familia…Manoel foi de longe o meu autor de novelas preferido, confesso gostar muito da Ivani Ribeiro, porém suas telenovelas me enriqueceram muito mais. Livros, bibliotecas, livrarias, bares, boa música, mares, praias e a vida como ela é…Confesso que minha paixão pelo escritor se acende após sua adaptação para a TV da minissérie “A presença de Anita”, um fenômeno literário e depois da teledramaturgia. Fez-me acompanhar todos os capítulos, além de atuações brilhantes como a da recém chegada Mel Lisboa, Helena Ranaldi, Zé Mayer, além do guri que interpretava o Zezinho. Um show. Capítulos que me levavam ao delírio, capazes de me cooptarem para leitura desenfreada da obra. E ali já era professor há quase cinco anos durante três turnos. Mas, em 2004 a professora Eleusa Molinari, passou-me uma poesia intitulada “No caminho com Maiakóvski”, cujo autor deixava para ser recitada pelo Fred, um menino apaixonado pela professora de Tênis, que era vítima do feminicídio. Confesso que carrego aqueles trechos da poesia até hoje e faço questão de citá-los aos meus alunos todas as vezes que tenho a oportunidade.
Maneco, como era chamado por seus íntimos, deixará saudades, principalmente por ser aquele analista do cotidiano capaz de debruçar-se e expor-nos aos mais íntimos e necessários assuntos. Lições que comoveram o Brasil. Que prenderam o país diante das telas. Assisti “Maysa”, acredito que sua última produção. Adorei. Confesso ter adorado mais por ter sido ele, Manoel Carlos. Um autor de inúmeros e cativante sucessos. Perfeito!
P.S.: O nome da minha filha Beatriz (Bia) nasce do nome da filha da protagonista Helena, Maitê Proença, em “Felicidade”.



