sexta-feira, 17 abril, 2026

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Artigo – Adeus, Papa Francisco

Por: Rodrigo Segantini*

Quando soube que o novo papa seria um argentino, admito que fiquei um pouco aborrecido. Havia rumores de que um brasileiro teria chances reais de ser eleito Sumo Pontífice, e confesso que senti uma pontinha magoada de inveja, como se a seleção tivesse perdido um jogo decisivo da Copa para o time de nossos vizinhos. Uma vaidade tola, talvez. Mas essa manchinha em minha Fé foi logo dissipada quando soube qual nome ele escolhera para seu pontificado: Francisco, o primeiro de seu nome.

Francisco de Assis é, para mim, um dos maiores exemplos de Amor, de entrega e de pureza de Fé entre todos os santos do Senhor. O nome, mais do que simbólico, era uma declaração de intenções. Tomei aquilo como um excelente presságio do tipo de liderança que aquele homem simples e sorridente imprimiria à frente da Igreja. E não me enganei.

Logo em sua primeira aparição pública, antes mesmo de abençoar os fiéis, foi ele quem pediu que o povo rezasse por ele. Aquele gesto – tão humilde, tão inesperado – me tocou profundamente. Era como se estivesse pedindo a bênção do rebanho antes de se declarar seu pastor. Em seguida, soltou uma piada simpática, com aquele sorriso que aprenderíamos a reconhecer ao longo dos anos como marca registrada de sua leveza e humanidade.

Francisco me ganhou naquele instante. E a muitos outros também.

Ao longo de seu papado, enfrentou desafios internos e externos com coragem e ternura. Cumpriu sua missão com grande esforço e tenacidade, mas sem jamais perder sua doçura. Aproximou a Igreja dos mais necessitados — tanto espiritualmente quanto materialmente. Combateu o pecado, mas jamais virou as costas ao pecador. Estendeu a mão àqueles que precisavam se levantar, mas também pesou a mão — com firmeza evangélica — sobre aqueles que precisavam ser confrontados com suas faltas, especialmente dentro da própria hierarquia da Igreja.

Foi, por isso, incompreendido por muitos. Mas compreendeu a todos. Nunca foi refém de dogmas rígidos ou de tradições vazias. Era fiel ao Evangelho, e isso lhe bastava. Onde muitos queriam ver castigo, ele oferecia acolhimento. Onde tantos pediam juízo, ele oferecia misericórdia.

Pessoalmente, tenho um carinho particular e peculiar por Francisco. Ele foi o papa no tempo do batizado do meu filho Arthur, de sua primeira comunhão e de sua crisma, bem como foi o papa no tempo em que meu filho Arthur se tornou catequista e foi investido como acólito. Meu filho conheceu a Igreja a partir da liderança de Francisco e foi assim que Arthur entendeu o Amor cristão que o cativou e tem o tornado um jovem incrível e admirável. Por isso, tenho profundo apreço pelo Papa Francisco.

Agora, terminada sua carreira, Francisco retorna à morada do Senhor, onde certamente será recebido com os braços abertos por Aquele a quem serviu com tanto zelo, coragem e Amor. Seu legado é de simplicidade, de ternura, de força e de Fé viva. Um legado que, espero, perdure e continue a inspirar a Igreja e o mundo.

Adeus, Papa Francisco. Obrigado por tudo.

*Rodrigo Segantini é advogado, professor universitário, mestre em psicologia pela Famerp.

**Os artigos publicados com assinatura não manifestam a opinião de O Defensor. A publicação corresponde ao propósito de estimular o debate dos problemas municipais, estaduais, nacionais e mundiais e de refletir as distintas tendências do pensamento contemporâneo.