Mais do que uma campanha de conscientização sobre o câncer de próstata, o Novembro Azul nos convida a refletir sobre a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e da necessidade de superar preconceitos que ainda afastam muitos homens dos consultórios médicos
Por: Gabriel Bagliotti*
Estamos chegando a novembro, mês em que o azul ganha destaque nas campanhas de conscientização e nos lembra de uma responsabilidade que, infelizmente, muitos homens ainda insistem em deixar para depois: o cuidado com a própria saúde.
Confesso que, ao observar a chegada de mais uma edição do Novembro Azul, considero necessário fazer uma reflexão que vai muito além da prevenção ao câncer de próstata. Afinal, por que tantos homens ainda encontram dificuldades para procurar um médico, realizar exames ou simplesmente admitir que precisam cuidar melhor de si mesmos?
Vivemos em uma sociedade na qual, durante muito tempo, a figura masculina foi associada à força, à resistência e à ideia equivocada de que demonstrar preocupação com a saúde seria sinal de fragilidade. Felizmente, essa mentalidade vem mudando, mas ainda temos um longo caminho pela frente.
Cuidar da saúde não é demonstração de fraqueza. Pelo contrário, é um ato de coragem, maturidade e responsabilidade com a própria vida e com aqueles que amamos.
O câncer de próstata, principal tema do Novembro Azul, é um dos tipos de câncer mais frequentes entre os homens brasileiros, ficando atrás apenas do câncer de pele não melanoma. Trata-se de uma doença que merece atenção, especialmente porque, em seus estágios iniciais, pode não apresentar sintomas.
E é justamente aí que precisamos compreender a importância do acompanhamento médico.
Não podemos esperar que a dor, o desconforto ou alguma dificuldade física apareçam para começar a prestar atenção aos sinais do nosso organismo. A prevenção também envolve alimentação equilibrada, prática regular de atividades físicas, controle do peso, redução do consumo de bebidas alcoólicas e abandono do tabagismo.
Além disso, considero fundamental que os homens conversem com seus médicos sobre os benefícios e possíveis riscos dos exames de rastreamento do câncer de próstata, especialmente a partir dos 50 anos ou antes, conforme os fatores individuais de risco.
O PSA, realizado por meio de exame de sangue, e o toque retal são ferramentas que podem auxiliar na avaliação da próstata, mas sua indicação deve considerar o histórico clínico, a idade e uma decisão compartilhada entre médico e paciente. É importante lembrar que o rastreamento de homens sem sintomas não é recomendado de forma indiscriminada pelo Ministério da Saúde, devido aos riscos de resultados falso-positivos, sobrediagnóstico e tratamentos desnecessários.
Entretanto, quero destacar outro aspecto que considero igualmente importante: o Novembro Azul precisa ser compreendido como uma campanha de valorização da saúde integral do homem.
Estamos falando também de hipertensão, diabetes, doenças cardiovasculares, saúde mental e tantas outras condições que podem comprometer nossa qualidade de vida quando negligenciadas.
Quantas vezes ouvimos alguém dizer que não tem tempo para procurar atendimento médico? Quantas vezes adiamos uma consulta porque estamos ocupados com o trabalho, com os compromissos profissionais ou com as responsabilidades familiares?
Eu mesmo reconheço que, diante da correria cotidiana, precisamos nos lembrar constantemente de estabelecer prioridades. E nenhuma delas deveria ser maior do que a preservação da nossa saúde.
Afinal, de que adianta trabalhar tanto, conquistar objetivos e construir uma trajetória profissional se não tivermos saúde para aproveitar a vida ao lado das pessoas que amamos?
Nossos filhos, esposas, pais, mães e familiares precisam de nossa presença, e não apenas dos resultados dos nossos esforços.
Por isso, acredito que o Novembro Azul também representa uma oportunidade para fortalecermos o diálogo dentro de casa. Precisamos incentivar nossos familiares e amigos a abandonar preconceitos, procurar orientação profissional e compreender que os cuidados preventivos devem fazer parte da rotina.
Também considero indispensável reconhecer o trabalho dos profissionais da saúde e das equipes da rede pública, que diariamente orientam, acolhem e acompanham pacientes, contribuindo para ampliar o acesso à informação e aos serviços de saúde.
Em Taquaritinga, espero que este mês seja marcado não apenas por campanhas e mensagens nas redes sociais, mas principalmente por uma mudança de comportamento entre os homens de nossa comunidade.
Que possamos conversar mais sobre saúde, valorizar os profissionais que nos atendem e entender que procurar ajuda no momento adequado pode fazer toda a diferença.
O Novembro Azul não deve terminar quando dezembro chegar. Seus ensinamentos precisam permanecer presentes durante todos os meses do ano.
Encerro esta reflexão com uma convicção: não existe demonstração maior de responsabilidade com nossa família do que cuidar de nós mesmos para continuarmos presentes na vida daqueles que amamos.
Que o azul deste novembro não seja apenas uma cor estampada em camisetas, fachadas e campanhas publicitárias. Que represente consciência, compromisso e, acima de tudo, respeito pela vida.
Porque homem de verdade não é aquele que ignora suas fragilidades, mas aquele que reconhece a importância de cuidar da própria saúde.




