Em meio a desafios, conquistas e recomeços, a Cidade Pérola celebra sua emancipação reafirmando a esperança, o sentimento de pertencimento e a confiança em um futuro de novas oportunidades
Por: Gabriel Bagliotti*
Neste domingo, 16 de agosto, Taquaritinga completa 134 anos de emancipação político-administrativa. Uma data que, para mim, precisa ser muito mais do que uma simples referência no calendário. É um momento para olhar para nossa história, reconhecer nossas dificuldades, valorizar nossas conquistas e, principalmente, reafirmar o orgulho de pertencer a esta terra.
Não podemos falar do aniversário de Taquaritinga ignorando os problemas enfrentados pelo município nos últimos anos. Seria fechar os olhos para uma realidade que todos conhecemos. As dificuldades financeiras atravessaram diferentes administrações, comprometeram investimentos, dificultaram a manutenção de serviços públicos e deixaram consequências que ainda precisam ser enfrentadas.
Mas uma cidade não pode ser resumida aos problemas de uma administração, aos números de um balanço financeiro ou às dificuldades de determinado período.
Taquaritinga é muito maior do que isso!
Quando penso na nossa querida Cidade Pérola, penso nas pessoas que construíram esta história ao longo de mais de um século. Penso nos trabalhadores, comerciantes, empresários, professores, servidores públicos, agricultores, profissionais liberais, religiosos, voluntários e em tantas famílias que ajudaram, cada uma à sua maneira, a transformar Taquaritinga na cidade que conhecemos.
Tenho orgulho de viver aqui. Tenho orgulho da nossa gente.
Somos uma cidade que preserva características muito próprias. Ainda temos aquele sentimento de pertencimento que faz com que as pessoas se encontrem pelas ruas e conversem sobre os acontecimentos da cidade. Temos nossas tradições, nossas festas, nossas entidades assistenciais, clubes de serviço, associações, igrejas, instituições culturais e esportivas que ajudam diariamente a manter viva a identidade taquaritinguense.
E se existe uma característica que sempre me chamou atenção em nossa população é a solidariedade.
Quando uma família precisa de ajuda, Taquaritinga se mobiliza. Quando uma entidade promove uma campanha, encontramos pessoas dispostas a colaborar. Quando uma tragédia acontece, como vimos recentemente com a forte tempestade que atingiu nosso município, surgem voluntários, empresários, instituições e cidadãos comuns oferecendo aquilo que podem.
Essa talvez seja uma das maiores riquezas que possuímos.
Também somos um povo generoso e entusiasta. Reclamamos da cidade, como qualquer cidadão que deseja melhorias tem o direito de fazer. Cobramos soluções, criticamos aquilo que entendemos estar errado e exigimos dos nossos representantes respostas para os problemas que enfrentamos. E devemos continuar fazendo isso.
Amar Taquaritinga não significa aceitar tudo em silêncio.
Pelo contrário. Para mim, amar uma cidade também significa querer vê-la melhorar. Significa cobrar responsabilidade na utilização do dinheiro público, defender bons serviços, preservar nossos espaços, valorizar nossas instituições e participar das discussões que definirão o nosso futuro.
Precisamos recuperar, cada vez mais, a capacidade de sonhar grande para Taquaritinga.
Nossa cidade possui localização privilegiada, tradição agrícola, comércio forte, instituições de ensino, potencial industrial, patrimônio cultural e uma população capaz de empreender e inovar. Temos condições de construir novos caminhos para o desenvolvimento, mas isso exige planejamento, responsabilidade administrativa e união.
Precisamos deixar para trás aquela velha ideia de que Taquaritinga está condenada a conviver eternamente com seus problemas. Não está.
As dificuldades existem e precisam ser enfrentadas com seriedade. Mas nenhuma crise pode ser maior do que a capacidade de uma cidade inteira de se reconstruir.
Ao completar 134 anos, acredito que também devemos olhar com respeito para aqueles que vieram antes de nós. Gerações inteiras trabalharam para construir escolas, hospitais, empresas, estradas, instituições e tudo aquilo que hoje faz parte da nossa rotina. Temos a responsabilidade de preservar esse legado e, principalmente, entregar uma cidade ainda melhor para aqueles que virão depois.
Quando penso nisso, inevitavelmente penso nas nossas crianças. Quero que elas cresçam tendo orgulho de dizer que são de Taquaritinga. Quero que encontrem aqui oportunidades para estudar, trabalhar, empreender, constituir suas famílias e realizar seus sonhos.
Esse deveria ser um compromisso coletivo.
Neste aniversário, portanto, meu desejo não é apenas de parabéns a Taquaritinga. Meu desejo é de esperança.
Que saibamos reconhecer nossos erros sem permitir que eles apaguem nossas virtudes. Que possamos superar divisões quando o interesse da cidade estiver em jogo. Que a política seja instrumento de transformação e não de conflitos pessoais. Que o desenvolvimento volte a ocupar o centro das nossas discussões.
E que jamais percamos aquilo que Taquaritinga possui de mais valioso: a sua gente.
São 134 anos de histórias, desafios, conquistas, perdas, recomeços e sonhos.
Eu continuo acreditando nesta cidade.
Continuo acreditando na força do povo taquaritinguense.
E continuo acreditando que a nossa Cidade Pérola ainda possui muitas páginas bonitas para escrever em sua história.
Parabéns, Taquaritinga, pelos seus 134 anos! Que o futuro esteja à altura da grandeza da sua história e dos sonhos de sua gente.
*Gabriel Bagliotti é jornalista responsável e diretor presidente de O Defensor.




