sábado, 8 agosto, 2026
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Arte em Foco – O excesso de imagem e o olhar cansado

Por: Larissa Cabreira*

A gente vê muita coisa o tempo todo.

Abre o celular e já tem imagem. Vídeo, foto, anúncio, tendência, referência. É um fluxo que não para. Um conteúdo atrás do outro, disputando atenção em poucos segundos.

E, no meio disso tudo, acontece uma coisa meio silenciosa.

A gente começa a parar de ver de verdade.

Não porque não está olhando, mas porque está olhando rápido demais. Sem tempo de absorver e perceber o que realmente está ali.

É como se o olhar fosse ficando cansado.

Nas redes sociais, isso fica ainda mais evidente. Tudo precisa chamar atenção, funcionar rápido e ser bonito de um jeito específico. Aos poucos, muita coisa começa a parecer igual.

Mesmas cores, enquadramentos, ideias.

E não é falta de criatividade. É excesso de referência.

A gente consome tanto que, sem perceber, começa a repetir. E, quando tudo se repete, o olhar perde o impacto. Nada mais surpreende como antes.

No meu trabalho com comunicação, isso aparece o tempo todo. Existe uma busca constante por algo que pare, que segure, que faça alguém ficar mais do que alguns segundos.

Mas, às vezes, o que realmente chama atenção não é o que grita mais alto.

É o que faz a gente desacelerar.

A arte tem muito a ver com isso.

Não no sentido de ser algo distante ou complexo, mas como uma forma de interromper esse automático. De fazer a gente olhar com um pouco mais de calma, com um pouco mais de presença.

Talvez a gente não precise ver mais.

Talvez a gente precise ver melhor.

E isso, no meio de tanta imagem, acaba sendo quase um exercício.

Um esforço consciente de sair do fluxo, de prestar atenção, de escolher não passar direto por tudo.

Porque, no fim, não é a quantidade de imagem que forma o olhar.

É a forma como a gente se permite enxergar.

*Larissa Cabreira é colaboradora d’O Defensor