Por: Larissa Cabreira*
A gente vê muita coisa o tempo todo.
Abre o celular e já tem imagem. Vídeo, foto, anúncio, tendência, referência. É um fluxo que não para. Um conteúdo atrás do outro, disputando atenção em poucos segundos.
E, no meio disso tudo, acontece uma coisa meio silenciosa.
A gente começa a parar de ver de verdade.
Não porque não está olhando, mas porque está olhando rápido demais. Sem tempo de absorver e perceber o que realmente está ali.
É como se o olhar fosse ficando cansado.
Nas redes sociais, isso fica ainda mais evidente. Tudo precisa chamar atenção, funcionar rápido e ser bonito de um jeito específico. Aos poucos, muita coisa começa a parecer igual.
Mesmas cores, enquadramentos, ideias.
E não é falta de criatividade. É excesso de referência.
A gente consome tanto que, sem perceber, começa a repetir. E, quando tudo se repete, o olhar perde o impacto. Nada mais surpreende como antes.
No meu trabalho com comunicação, isso aparece o tempo todo. Existe uma busca constante por algo que pare, que segure, que faça alguém ficar mais do que alguns segundos.
Mas, às vezes, o que realmente chama atenção não é o que grita mais alto.
É o que faz a gente desacelerar.
A arte tem muito a ver com isso.
Não no sentido de ser algo distante ou complexo, mas como uma forma de interromper esse automático. De fazer a gente olhar com um pouco mais de calma, com um pouco mais de presença.
Talvez a gente não precise ver mais.
Talvez a gente precise ver melhor.
E isso, no meio de tanta imagem, acaba sendo quase um exercício.
Um esforço consciente de sair do fluxo, de prestar atenção, de escolher não passar direto por tudo.
Porque, no fim, não é a quantidade de imagem que forma o olhar.
É a forma como a gente se permite enxergar.




