A gente costuma separar as coisas sem perceber. De um lado, a arte. Do outro, a comunicação. Como se uma fosse expressão e a outra fosse apenas informação.
Mas, na prática, essa divisão não se sustenta por muito tempo.
Toda comunicação carrega escolhas. E toda escolha comunica mais do que parece.
A forma como uma informação é organizada, a imagem que acompanha um texto, as cores utilizadas, o estilo de linguagem, o ritmo de um vídeo. Nada disso é aleatório. Existe intenção, existe construção e, principalmente, existe sensibilidade envolvida nesse processo.
É por isso que, cada vez mais, comunicar também é criar.
Nas redes sociais, isso fica ainda mais evidente. Um mesmo conteúdo pode passar despercebido ou gerar conexão dependendo de como ele é apresentado. Às vezes, não é o que está sendo dito que muda, mas a forma como aquilo chega até as pessoas.
E essa forma é, essencialmente, estética e narrativa.
No jornalismo, isso também acontece. A escolha de uma imagem, o destaque de uma manchete, a forma como um texto é estruturado influenciam diretamente a leitura e a interpretação do público. Informação não é só conteúdo. É também construção.
No meu trabalho com comunicação, isso aparece o tempo todo. Não existe postagem neutra, identidade neutra ou linguagem completamente neutra. Sempre há um direcionamento e uma forma de olhar.
E é aí que a arte entra, mesmo quando não é nomeada como arte.
Ela está no cuidado com o visual, na intenção por trás de cada escolha, na tentativa de transformar algo simples em algo que prenda, que faça sentido, que gere alguma reação.
Porque, no fim, comunicar não é só transmitir.
É fazer alguém parar, olhar e, de alguma forma, sentir alguma coisa.
E talvez seja justamente por isso que comunicação e arte estejam muito mais próximas do que a gente imagina.
Elas não competem.
Elas se completam.
*Larissa Cabreira é colabora d’O Defensor.


