sábado, 20 junho, 2026

spot_img

TOP 5 DESTA SEMANA

Notícias Relacionadas

Pensando Alto (e escrevendo também) – O que a vida quer da gente é coragem

Por: Nadia Araujo*

Sim, esta semana vou falar de um vídeo que todos nós vimos na internet. Infelizmente, fomos atingidos pelas imagens do acidente na Ponte do Esqueleto, em Limeira. Cada um teve uma reação diferente, mas acredito que a maioria pensou: “Essa moça estava procurando sarna para se coçar”. É uma reação comum, afinal, a maioria de nós não tem coragem nem de pedir aumento para o chefe, quem dirá se aventurar em esportes radicais.

Esse caso me lembrou outro: há exatamente um ano, vivíamos uma dor semelhante com a morte de Juliana Maris no Monte Rinjani, na Indonésia. Encontrei semelhanças que me fizeram parar: quase um ano exato separa as duas tragédias, a juventude pulsante e, principalmente, a coragem.

Acho que a coragem é algo quase exclusivo dos jovens. Não sei explicar com termos técnicos, mas aposto que você foi uma criança muito corajosa, que não tinha medo de se machucar brincando na rua. Hoje, no entanto, seu sistema nervoso parece não saber a diferença entre levar um tiro e errar algo simples no trabalho (autocrítica necessária aqui).

Quando o mundo dos “covardes” (e uso o antônimo de coragem sem intenção de ofender) encontra o dos corajosos, tendemos a achar que é besteira se arriscar assim. E o julgamento é ainda mais pesado quando essa coragem vem de mulheres. Esperamos o risco dos homens; quando vem de uma mulher, as perguntas são mais cruéis: “Para quê?”, “Fica em casa”, “Lá é mais seguro”.

Mas e o fato de viver experiências incríveis? O fato de ter tanta juventude dentro de si a ponto de nem conhecer a palavra medo? O fato de que você nunca mais terá vinte e poucos anos? Será que isso não deveria ser maior do que o nosso cuidado excessivo?

No fim, acho que elas viveram exatamente o que Guimarães Rosa quis dizer: “O correr da vida embrulha tudo, a vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem”.

Para os medrosos como eu, que possamos lembrar dessas meninas, com carinho e como exemplo, sempre que nosso sistema nervoso entrar em pane por conta de uma reunião online. Que a coragem delas nos inspire a enfrentar nossos próprios abismos.

*Nadia Araujo é colaborado d’O Defensor