quarta-feira, 17 junho, 2026

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Homenagem: Luiza Pini – 100 anos

Por: Paulo Cesar Cedran*

É comum dizermos que Deus recolhe precocemente as pessoas boas para junto de si, no caso da d. Luiza Pini, que no dia 13/06, completou 100 anos de vida, vivíssima junto de nós, podemos dizer que Deus não a recolheu para junto de si para que pudéssemos saborear um pouco das alegrias do que será o paraíso eterno. Da vivência plena na graça junto ao Pai. Quem conhece a d. Luiza pode dizer que ela é, em vida, o exemplo dessa vivência que confunde o efêmero e o eterno e mistura tudo numa vida voltada para Deus. Só a conheci com a família então constituída, vinda para Dobrada, em 07 de setembro de 1958, oriunda do bairro Cachoeirinha, como donos do bar do Angelini Pini, seu saudoso esposo, esse bar que ficava defronte ao bar São José – bar do Cedran, de meus avós e que minha saudosa mãe Idiná, dizia que eu, com pouco mais de dois anos, corria atravessando a rua, indo ao encontro da Lurdes, da Marlene e do Zé Pini, filhos do casal – Luiza e Angelini. Nisso lá se vão 55 dessa história. Mas esse bar era também ponto de almoço de muitos que residiam ou passavam por Dobrada. A comida famosa e caseira da dona Luiza era de fazer inveja. Viajantes, vendedores, professoras, diretores de escola, como a sra. Araci, ali se serviam e se juntavam a alegria desse almoço como uma grande família. A tudo isso, acrescenta-se a generosidade que sempre diferenciou a d. Luiza que não negava um prato de comida a quem não pudesse pagar. Não podemos deixar de lembrar também seu cuidado com o cunhado Severino, a sobrinha Luzia e posteriormente, também, a Zelinda e a Mônica. Na paróquia São Francisco de Paula, a d. Luiza era daquelas mulheres que tomavam a frente na organização das festas, nos serviços da feitura dos pasteis e da cozinha, junto a tantas outras senhoras que uniam a oração e a participação no Apostolado da Oração e na Legião de Maria. Nas quermesses, festas e limpeza da igreja, eram essas mulheres que conduziam tudo. Aí entra um pouquinho da história do padre José Domingos Bragheto, que em 1976, assume nossa paróquia e tendo problemas sérios de gastrite, tinha na d. Luiza uma de suas “mães” que cuidava desse jovem padre em sua primeira paróquia como um filho, preparando com todo carinho, a comida para sua dieta especial. Sempre que volta a Dobrada, padre Bragheto, lembra esse cuidado que d. Luiza teve para com ele, com gratidão e estima, orando sempre por ela. Até quando pode d. Luiza não deixou de atuar nessas atuais voltadas para a oração, participando intensamente, por exemplo, das romarias do Apostolado da Oração em Aparecida de Monte Alto, das quais recordo com carinho quando acompanhava o apostolado nessas viagens. Não posso deixar de lembrar o apoio que dela recebi nas vezes em que me candidatei a vereador. Mesmo sendo dispensada de votar em função da idade, d. Luiza fazia questão de ir votar e dizia com todo o orgulho: Paulo, eu votei pra você, de vereador. Neste dia, em sua homenagem, estendo meu carinho a família Pini que vem desde o meu nascimento. Quando recebi o convite para dirigir para dirigir algumas palavras sobre o centenário da d. Luiza, me senti mais que honrado, me senti, verdadeiramente, privilegiado por estar celebrando este momento marcante na vida desta família, da qual eu me sinto como um de seus membros. Não posso deixar de lembrar que me espelhei na trajetória de vida da Marlene e de seu esposo Ricardo Américo – Kadinho, e tive a alegria de ver a sua filha Juliana, da qual participei da homenagem na sua festa de 15 anos, estar hoje formada e casada, tendo um lindo filho e constituindo uma linda família. O mesmo posso dizer de sua filha Gabriela que está prestes a aumentar a família, com a vinda de uma nova criança. Parabéns a Marlene pelo seu trabalho no comércio e na cultura de Dobrada, em especial, junto ao Clube Italo Dobradense. Quanto a Lurdes, minha comadre, nosso afilhado Gustavo Furia, que nós batizamos nos uniu ainda mais. Estivemos juntos no trabalho na EE Dr. Celso Barbieri em momentos particulares da vida, onde nos alegramos e choramos juntos. Você, Lurdes, sempre será uma flor querida num jardim a ser cultivado com muito carinho pela sua família e por todos que a conhecem. José Pini e Rafael, está faltando nessa festa, a nossa querida Maria Salvador Lourenço Pini, amiga de trabalho e sua companheira de vida, que tanto lutou com certeza, do céu junto com sr. Angelini está participando dessa festa em homenagem à d. Luiza. Encerro esta homenagem com a passagem que Jesus nos diz, sobre o que verdadeiramente, devemos buscar na vida, que com certeza é o que d. Luiza sempre buscou: Por isso vos digo: Não andeis ansiosos quanto à vossa vida, pelo que haveis de comer ou pelo que haveis de beber; nem quanto ao vosso corpo, pelo que haveis de vestir. Não é a vida mais do que o mantimento, e o corpo mais do que o vestuário? Olhai para as aves do céu, que nem semeiam, nem segam, nem ajuntam em celeiros; e vosso Pai celestial as alimenta. Não tendes vós muito mais valor do que elas? E qual de vós poderá, com todos os seus cuidados, acrescentar um côvado à sua estatura? E, quanto ao vestuário, por que andais ansiosos? Olhai para os lírios do campo, como eles crescem; não trabalham nem fiam; E eu vos digo que nem mesmo Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles. Pois, se Deus assim veste a erva do campo, que hoje existe, e amanhã é lançada no forno, não vos vestirá muito mais a vós, homens de pequena fé? Não  andeis, pois, inquietos, dizendo: Que comeremos, ou que beberemos, ou com que nos vestiremos? Porque todas estas coisas os gentios procuram. Decerto vosso Pai celestial bem sabe que necessitais de todas estas coisas; Mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas. Não vos inquieteis, pois, pelo dia de amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal. Enfim, pelos seus 100 anos voltados à oração de uma entrega total a Deus, como diz a mística e religiosa carmelita do século XVI – Doutora da Igreja –  Santa Teresa D’Avila: nada te perturbe, nada te espante. Tudo passa. Só Deus não muda. A paciência tudo alcança. Nada te falta com Deus no coração. Só Deus, só Deus te basta. Feliz Aniversário.

*Paulo Cesar Cedran é Supervisor de Ensino – URE Taquaritinga SP / Mestre em Sociologia – Doutor em Educação – UNESP – Campus Araraquara -SP  / Docente – Centro Universitário Moura Lacerda – Ribeirão Preto – SP.

**Os artigos publicados com assinatura não manifestam a opinião de O Defensor. A publicação corresponde ao propósito de estimular o debate dos problemas municipais, estaduais, nacionais e mundiais e de refletir as distintas tendências do pensamento contemporâneo.