terça-feira, 21 abril, 2026

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Artigo: Um breve histórico da importância das vacinas para a humanidade

Por: Monica Mencaroni Ferreira*

A primeira vacina do mundo foi descoberta pelo médico inglês Edward Jenner em 1796. Ele desenvolveu a vacina contra a varíola, uma doença que na época causava a morte de milhões de pessoas no mundo.

Desde então, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que, aproximadamente 154 milhões de vidas foram salvas, nos últimos 50 anos, graças às vacinas. A maioria são crianças com menos de 5 anos e cerca de dois terços são crianças com menos de 1 ano de idade.

Em 1974, a Assembleia Mundial da Saúde lançou o Programa Expandido de Imunização com o objetivo de vacinar todas as crianças contra a difteria, o tétano, a coqueluche, o sarampo, a poliomielite, a tuberculose e a varíola, até 1990.

O programa foi posteriormente expandido para incluir outras doenças.

A modelagem científica, que marca os 50 anos desde a criação deste programa, mostra que uma criança com menos de 10 anos, tem quase 40% mais probabilidades de chegar ao próximo aniversário em comparação com o que aconteceria se não tivéssemos vacinas.

Principais conquistas da vacinação (Erradicação/Eliminação/Controle):

  • Varíola: Erradicada mundialmente (1980), após séculos de mortalidade elevada.
  • Poliomielite (Paralisia Infantil): Eliminada do Brasil em 1994 e das Américas.
  • Rubéola e Síndrome da Rubéola Congênita: Eliminadas no Brasil e Américas em 2015.
  • Tétano Neonatal: Eliminado no Brasil em 2003.
  • Sarampo: Brasil recebeu certificado de eliminação em 2016, mas perdeu devido a surtos recentes causados por queda na vacinação.

Doenças com controle significativo no Brasil (evitáveis):

A vacinação mantém sob controle doenças como a difteria, coqueluche, meningite (tipo C), hepatite B, caxumba e rotavírus. A manutenção da cobertura vacinal é crucial para evitar o retorno dessas doenças. Além de influenza, covid, dengue 1, 2, 3 e 4.

O perigo do retrocesso

Infelizmente nos últimos anos, por descuido dos pais, por posições políticas, por falta de conhecimento, entre outros, temos visto um retrocesso na cobertura vacinal, revertendo décadas de conquistas científicas sérias que comprometem a saúde pública e coletiva, entre elas:

  • Retorno de doenças erradicadas ou controladas: A queda na cobertura abaixo de 95%, aumenta o risco de surtos de doenças graves, como sarampo, poliomielite, meningite, febre amarela e difteria.
  • Aumento da mortalidade infantil e materna: A falta de imunização infantil coloca crianças em risco de doenças que podem ser fatais.
  • Sobrecarga do sistema de saúde: O ressurgimento dessas doenças gera mais internações e pressiona o SUS, consumindo recursos que poderiam ser aplicados em outras áreas.
  • Perda de imunidade coletiva: Com menos pessoas vacinadas, o vírus ou bactéria circula mais facilmente, colocando em risco inclusive quem não pode se vacinar (recém-nascidos, imunossuprimidos).
  • Aumento de surtos evitáveis: A Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta que a desinformação e hesitação vacinal resultaram na maior queda contínua de vacinação infantil em 30 anos.

Cenário no Brasil:

O Brasil registrou quedas consecutivas nas taxas de vacinação desde 2016, com a cobertura total da população ficando abaixo de 70% desde 2020. Isso coloca o país em alto risco de reintrodução de doenças como a poliomielite.

* Monica Mencaroni Ferreira é Diretora de Vigilâncias da Prefeitura de Taquaritinga.

**Os artigos publicados com assinatura não manifestam a opinião de O Defensor. A publicação corresponde ao propósito de estimular o debate dos problemas municipais, estaduais, nacionais e mundiais e de refletir as distintas tendências do pensamento contemporâneo.