Por: Rodrigo Panichelli*
Sábado, 7 de fevereiro a Quarta Divisão Paulista para jogos do nosso Leão em casa começou, e com ela, começou também mais um capítulo daquelas histórias que só o futebol de interior sabe escrever. Não no placar, não na técnica refinada, mas no caminho até o estádio, no ingresso comprado cedo, na empolgação que não cabe no bolso da bermuda.
Eu e meus três filhos, trigêmeos, começamos cedo nossa saga de 2026. Comprar ingresso antecipado, garantir desconto, sentir o cheiro do jogo antes mesmo de a bola rolar. A ida ao Taquarão já era, por si só, um evento. Saímos de casa às 14h40, jogo às 15h. Sem fila, sem aperto, talvez até com sombra na arquibancada… talvez. Ironia aceita, calor confirmado.
O público ainda pequeno denunciava o início de campeonato e o empate sem gols na estreia, fora de casa, contra o Vocem. Mas os rostos eram os mesmos. Os de sempre. Gente que esteve ali ano passado e voltou. Porque paixão não precisa de campanha empolgante para bater ponto.
O jogo? Até os 40 minutos do primeiro tempo, dava para contar nos dedos — e sobravam dedos — os lances dignos de nota. Futebol burocrático, travado, sem alma. Até que o futebol, esse sujeito imprevisível, resolveu criar um caos.
Uma entrada estabanada do lateral adversário. Cartão amarelo. Depois, revisão mental, coletiva ou divina: o amarelo virou vermelho. Na sequência, o técnico do ECUS também foi expulso. Confusão instalada. Enquanto o treinador ainda tentava orientar seu time com um a menos, a falta foi cobrada rapidamente e o CAT quase marcou. O goleiro caiu, simulou contusão, pediu fair play. Em cinco minutos, o jogo que dormia virou tsunami.
E quando parecia que o CAT teria o cenário ideal — um a mais, confusão do outro lado — veio o balde de água fria. Pênalti bem marcado para o adversário. Cobrança perfeita. Na gaveta. Se existe golaço de pênalti, esse entrou para a categoria.
Depois disso, o que se viu foi mais vontade do que futebol. Abafa, trocas táticas, mudanças de peças. Mas a bola não obedecia. Um cabeceio defendido com brilho pelo goleiro adversário, uma ou duas chances claras, e só. Nervosismo, falta de intimidade com a bola, talvez o peso da obrigação. A rede adversária seguiu intacta.
A chuva? Quase veio. Molhou o suficiente para assustar alguns torcedores, mas não para lavar a atuação. O apito final trouxe uma derrota decepcionante, sofrível — e levemente molhada.
Na arquibancada, três olhares diferentes para o mesmo jogo. Ana Júlia reclamando da arbitragem, ainda que, honestamente, ela não tenha decidido o resultado. Vicente assistiu tudo em silêncio, entre um lance e outro vencido pelo sono. Joaquim, convicto, dizia que se estivesse em campo a história seria outra. E não foram poucos os adultos que concordaram com ele.
Fica o gosto amargo da estreia em casa. Fica a lição. Fica a esperança. Porque futebol de interior é isso: às vezes a bola não entra, mas a gente volta. Volta porque acredita. Volta porque ama. Volta porque, no próximo sábado, tudo pode ser diferente.
E que seja.



