Por: Rodrigo Panichelli*
Começa 2026. Ano par. Ano de Copa do Mundo. E todo ano de Copa não é apenas uma sequência de jogos: é um estado de espírito. O futebol muda de ritmo, de conversa, de importância. O almoço vira pré-jogo. O trânsito vira intervalo. A rotina se organiza em torno de uma bola que corre em três países diferentes, mas para no mesmo lugar: o coração de quem ama o jogo.
A Copa de 2026 será inédita em quase tudo. Três sedes — Estados Unidos, México e Canadá —, 48 seleções, mais jogos, mais histórias, mais estreantes e, inevitavelmente, mais debates. Alguns dirão que é exagero. Outros, que é a globalização do futebol. Eu prefiro chamar de espelho do tempo: o futebol acompanha o mundo, com seus excessos, suas oportunidades e suas contradições.
E é nesse cenário que a coluna Jogando Limpo entra em campo neste novo ano. Porque 2026 não será só sobre quem levanta a taça em julho. Será sobre o caminho até lá. As Eliminatórias que ficaram pelo retrovisor, os técnicos pressionados, as convocações questionadas, os craques que surgem cedo demais e os veteranos que tentam ficar de pé até a última chamada.
Falaremos de Seleção Brasileira, claro. Sempre. Porque falar do Brasil em ano de Copa é quase um dever cívico não escrito. Mas também falaremos do futebol que orbita a Copa: o Brasileiro que não para, a Libertadores que insiste em ser dramática, os estaduais que sobrevivem entre críticas e afetos, e os bastidores que nunca saem de moda.
2026 será também um ano de memória. De comparações inevitáveis com outras Copas. De álbuns de figurinhas que mudaram de papel para tela, mas continuam despertando o mesmo vício. De narrações que já não são mais as mesmas, mas ainda tentam emocionar como antes. De um futebol mais rápido, mais físico, mais intenso — e, às vezes, menos poético.
Aqui, nesta coluna, a ideia não é gritar mais alto. É observar melhor. Não é vender certezas. É levantar perguntas. Jogar limpo é isso: falar de futebol sem manual, sem torcida organizada de opinião, sem compromisso com o óbvio.
O ano está começando. A Copa já corre na veia.
E o apito inicial de 2026 já soou.
Que venham os jogos.
Que venham as histórias.
E que a bola, como sempre, fale por si. ⚽



