Por: Rodrigo Panichelli*
Existem pessoas que não precisamos conhecer pessoalmente para sentir como se fizessem parte da família. Paulo Soares foi um desses caras. O “Amigão” da ESPN marcou não só uma geração de jornalistas, mas também milhares de torcedores que, como eu, aprenderam a ver o esporte de outra forma.
A primeira vez que assisti ao SportsCenter foi num dia que jamais esqueço: após um jogo do meu querido Clube Atlético Taquaritinga contra a Inter de Limeira. Aquele jogo ficou famoso pelo árbitro de sobrenome Borboerema, que anulou gol, expulsou jogador e complicou os planos do Leão rumo à elite paulista. Mas, naquela noite, algo maior aconteceu: junto ao meu pai, conheci Paulo Soares e Antero Greco comandando o SportsCenter.
Foi um choque de leveza e seriedade. Informação com humor, jornalismo com paixão. Ali, decidi: precisava ter ESPN em casa, mesmo que fosse caro, com antena e tudo mais. Porque não era só futebol, era uma maneira diferente de viver o futebol.
Paulo Soares, com seu jeito único de narrar a notícia e arrancar um sorriso mesmo em dias pesados, foi inspiração. Inspirou jornalistas, inspirou torcedores, inspirou quem ama o esporte. Ele e Antero foram como num casamento: na alegria e na tristeza, na saúde e na doença. Até que a morte os separasse.
Poucos talvez não saibam quem foi o Amigão. Mas quem vive o esporte sabe: foi um dos grandes. Um cara sensacional, humano, profissional, inspirador — mesmo sem saber que era.
Hoje, fica a saudade. Mas fica também o legado. O microfone pode estar desligado, mas a voz do Amigão segue ecoando em todos nós que aprendemos a ver o esporte com mais amor e mais respeito.
Obrigado, Paulo. O Amigão!



