Por: Rodrigo Panichelli*
Nesta terça-feira, a Seleção Brasileira reencontra sua torcida, mas não sua identidade. Na NeoQuimica Arena, enfrenta o Paraguai pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2026, com um técnico que, até outro dia, não falava uma palavra de português, e talvez nem precise, porque faz tempo que o time não fala a língua do futebol arte.
Carlo Ancelotti é competente, sim. Vencedor, inegavelmente. Mas ao contrário do que alguns pensam, não será o passaporte italiano que devolverá ao Brasil o que o CBF deixou escapar: alma. O problema da Seleção não é treinador, é projeto. Ou melhor, a falta crônica de um.
Estamos em junho de 2025 e o Brasil segue como um laboratório de emergências. Cada convocação parece um pedido de socorro, cada partida um teste. E como bons brasileiros, vamos aceitando o improviso, desde que venha com vitória e meme na rede social.
Contra o Paraguai, espera-se ao menos um bom jogo. Mas o que seria bom? Vencer por dois gols? Ver Vinícius Jr. e Raphinha finalmente se entenderem em campo? Ou apenas não passar vergonha diante de 40, 50 mil pessoas que ainda acreditam que “rumo ao hexa” é mais que um bordão publicitário?
Ancelotti, com seu currículo recheado de Champions, talvez não entenda de antemão o que significa vestir a amarelinha em tempos de descrédito. Não por culpa dele. Mas porque a camisa perdeu brilho. A estrutura por trás dela é opaca.
Se quiser triunfar, terá que mais do que treinar um time: terá que reconstruir um símbolo. E isso, caro leitor, não se faz com treino fechado, assessor de imprensa sorridente e coletiva sem perguntas incômodas.
Talvez o Itaquerão esteja cheio. Talvez a Seleção vença. Mas enquanto a CBF for mais empresa que federação, e o futebol brasileiro for tratado como um produto descartável entre estaduais inchados e calendários ridículos, nenhum Ancelotti salvará a pátria.
A não ser que alguém dentro de campo se lembre do que é jogar com camisa encharcada, não de suor, mas de sentido.



