Por: Rodrigo Segantini*
A Associação dos Servidores Públicos Municipais surgiu quando ainda não se permitia a formação de sindicatos por servidores públicos. Era o único caminho possível para se organizar, buscar vantagens legítimas e criar laços de solidariedade entre os funcionários.
Durante décadas, em Taquaritinga, sob a liderança de nomes de respeito, como o antológico Dolares Micali, a Associação cumpriu seu papel com honradez: unia os funcionários, promovia convivência e assegurava benefícios reais, como convênios médico e odontológico. Era um espaço de acolhimento, congraçamento e construção coletiva — algo raro num ambiente público frequentemente marcado pela desatenção ao servidor.
Com o tempo, passou a coexistir com o sindicato, este sim uma entidade formalmente reconhecida como representante legal da categoria em negociações coletivas, greves, dissídios e ações judiciais. Em termos práticos, o sindicato é um órgão de representação institucional, com deveres legais e prerrogativas perante o poder público. Já a associação é um espaço de convívio, fortalecimento comunitário e prestação de serviços auxiliares, como convênios, eventos e apoio mútuo. Ambos têm papéis diferentes, porém complementares — desde que cada um se atenha ao seu propósito.
No entanto, a associação, que sempre foi familiar ao tornar quase todos os funcionários públicos uma grande única família, acabou se tornando alvo de interesses alheios à sua natureza. Há algum tempo, uns e outros, seduzidos pelo brilho da política partidária, passaram a utilizá-la como trampolim. E, como é natural, uma estrutura feita para servir — e não para projetar — acabou ruindo.
Com a desorganização interna, os convênios médico e odontológico, mantidos respectivamente junto à Santa Casa e à Uniodonto, deixaram de ser adimplidos e, por isso, estão sujeitos a serem cortados. Os servidores, já desvalorizados pela situação caótica que o município enfrenta, buscaram socorro junto ao prefeito Dr. Fúlvio — e ouviram a resposta que nenhum funcionário gosta, mas todo cidadão responsável entende: não há o que possa ser feito enquanto a casa não estiver em ordem.
Foi nesse momento, entre os escombros da confiança e da estrutura, que dois nomes se levantaram: Chumbinho Rebech e Paulo Micali. Ambos são servidores inativos apenas nos papéis, pois seguem ativos na alma e na responsabilidade cívica. Paulo, filho do lendário Dolares e irmão do igualmente competente Ronaldo, carrega em si o peso e a honra de um legado de serviço sério e fiel à categoria.
Sem alarde, sem vaidade, eles se propõem a fazer o que poucos têm coragem: reorganizar a associação, acertar as contas, restaurar os convênios e devolver a confiança aos servidores. Não fazem isso por ambição. Fazem por senso de dever. Talvez não recebam homenagens. Talvez enfrentem resistências. Mas representam hoje o que há de mais necessário: gente que volta por lealdade, não por projeção. Gente que quer consertar, não ocupar. Gente que serve e não se serve.
Se conseguirem — e torcemos para que consigam — a associação poderá reencontrar sua alma. E os servidores, mais uma vez, terão um lugar para chamar de casa, para que o funcionalismo municipal volte a ser uma família.



