Comemorado em 5 de junho, o Dia Mundial do Meio Ambiente deveria representar um marco de reflexão global, um ponto de virada, uma convocação urgente à ação. Contudo, o que se observa, ano após ano, é um desfile repetitivo de campanhas publicitárias, hashtags corporativas e compromissos simbólicos que pouco ou nada alteram a marcha acelerada rumo ao colapso ambiental.
Neste 2025, o planeta segue sob intensa pressão: temperaturas médias globais em alta, eventos climáticos extremos cada vez mais frequentes, perda contínua da biodiversidade, esgotamento de recursos naturais e desigualdade ambiental gritante — onde comunidades pobres e povos originários seguem sendo os primeiros a sofrer as consequências das ações predatórias de poucos.
No Brasil, país detentor da maior biodiversidade do planeta, o contraste entre discurso e prática é ainda mais chocante. Enquanto governos anunciam metas climáticas em conferências internacionais, a realidade mostra desmatamentos recordes na Amazônia Legal, queimadas que devastam o Pantanal e a negligência sistemática com os biomas da Caatinga, Cerrado e Mata Atlântica. A legislação ambiental sofre contínuas tentativas de flexibilização, colocando em risco conquistas históricas obtidas por pressão da sociedade civil, cientistas e ativistas ambientais.
O problema, contudo, não está apenas na ausência de políticas públicas — mas em sua inversão. Muitas vezes, as ações do poder público operam diretamente contra o meio ambiente, seja por meio de autorizações de grandes empreendimentos sem estudos de impacto adequados, seja pela omissão deliberada diante de crimes ambientais. A retórica do “desenvolvimento a qualquer custo” continua sendo escudo para interesses econômicos imediatistas, que ignoram o custo social e ecológico dessa visão ultrapassada.
Nas cidades, a crise se manifesta de forma silenciosa, mas constante. A má gestão de resíduos sólidos, a impermeabilização do solo, a poluição do ar, o avanço desordenado da urbanização e a precariedade no saneamento básico são apenas algumas faces do descaso. As chamadas “ilhas de calor” urbanas, por exemplo, crescem ano após ano, aumentando doenças respiratórias, afetando a saúde pública e aprofundando desigualdades sociais.
Celebrar o Dia Mundial do Meio Ambiente apenas com postagens simbólicas e plantio de mudas é insuficiente — e até hipócrita — diante da magnitude da crise ecológica que vivemos. Mais do que nunca, o momento exige ruptura com modelos predatórios e uma guinada concreta em direção a uma economia de baixo carbono, produção sustentável, proteção rigorosa das florestas, e valorização dos conhecimentos tradicionais dos povos indígenas e comunidades quilombolas.
A mudança, claro, não é responsabilidade exclusiva do poder público ou das grandes corporações. Cada cidadão tem papel fundamental no consumo consciente, na pressão política, na escolha de representantes comprometidos com a agenda ambiental, no apoio a iniciativas locais de preservação e na disseminação de uma cultura que valorize a vida — humana e não humana — em todas as suas formas.
O Dia Mundial do Meio Ambiente, portanto, não deve ser encarado como uma data comemorativa, mas como um grito de alerta. Ou compreendemos, de uma vez por todas, que não existe economia forte em um planeta fraco, ou estaremos, em um futuro breve, lembrando dessa data como uma relíquia de um tempo em que ainda era possível evitar o pior.



