Por: Rodrigo Segantini*
Em minha vida, eu assisti a três conclaves. O primeiro deles foi em 2005, quando foi escolhido Bento 16. Fiquei muito comovido em seu pronunciamento, quando ele se apresentou como um simples operário na vinha do Senhor. O segundo foi em 2013, quando foi escolhido Francisco. Eu estava no fórum quando ouvi os sinos da Matriz e corri para meu escritório para acompanhar seu anúncio, ficando decepcionado ao saber que era um argentino, mas tendo recobrado meu ânimo diante de sua humildade em se reclinar pedindo orações do povo presente e depois demonstrar bom humor ao fazer pequenos gracejos ao dizer que foram buscá-lo no fim do mundo. O terceiro é este mais recente, quando foi escolhido Leão 14.
Confesso que fiquei mais apreensivo neste conclave. Era dito que o favorito era o cardeal italiano Pietro Parolin. Há uma conhecida profecia atribuída a um São Malaquias, que teria dado um epíteto a cada papa da Igreja a partir do século 16. O último dístico que ele gravou atribuiria a este pontífice o cognome “Pedro Romano”, que lideraria a instituição no tempo da última tribulação. Não acredito em profecias, mas causa um certo desassossego se um italiano/romano chamado Pedro fosse eleito, à vista dos acertos de Malaquias com os papas precedentes na combinação de seus versos.
Além das profecias católicas, há também outras manifestações que, embora não sigam a doutrina católica, inquietam alguns fiéis. Entre elas, destaco o que Ellen G. White, uma escritora ligada ao movimento religioso adventista, escreveu acerca do tempo de tribulação. Diz a autora que os EUA como poder temporal se uniria com a Igreja Católica para estabelecer um novo regime institucional que precederia ao fim dos tempos. Não sei o quanto Donald Trump sabe sobre isso, mas meu medo neste sentido subiu dois níveis ao saber que o presidente norte-americano não apenas tentou intervir no conclave, como até fez campanha para o cardeal Timothy Dolan, de Nova York.
Mas admito que fiquei bastante aliviado de saber quem foi o eleito, o cardeal norte-americano Robert Prevost. Apesar de ser norte-americano, como a figura anunciada por Em primeiro lugar, porque, ao se apresentar ao povo, ele se emocionou e chegou a chorar. Essa demonstração de humanidade me cativou muito. Depois, ao ouvi-lo falar insistentemente em paz e ao se dirigir ao mundo em vários idiomas, não apenas em italiano, e preferir falar em espanhol ao invés de inglês, deixou claro que ele será aberto e acessível. Por fim, por ele ser agostiniano, já que tenho profundo apreço por Santo Agostinho, cuja carisma sustenta a ordem da qual o papa fez parte durante seu ofício.
A escolha de seu nome também é algo que gostei muito. Tenho um apreço grande pelo número 14, já que nasci nesta data em junho. Porém, também tenho grande admiração por dois papas chamados Leão: Leão Magno, o primeiro de seu nome, que, com sua força moral e posicionamento firme, impediu Átila, o Huno, de invadir e devastar Roma, nos estertores do império ocidental; e Leão 13, que revolucionou as relações humanas com sua carta Rerum Novarum, instituindo a vertente social dentro da Igreja Católica. Força para impedir o avanço do Mal, coragem para fazer as mudanças que a instituição precisa – esse é o peso do nome Leão!
Independentemente de quem ele foi, o que importa é quem ele é: ele é o Papa Leão 14. Que o Senhor abençoe e ilumine a jornada de Sua Santidade enquanto guia a Igreja no Caminho de Cristo. A você que leu até aqui, se puder, dedique uma oração em intenção ao Papa.



