sábado, 14 fevereiro, 2026

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Nossa Palavra – Requer investigações

A morte do ex-prefeito de Taquaritinga, Vanderlei Mársico, ocorrida nesta quinta-feira (10), chocou a comunidade local e reacendeu debates sobre sua trajetória política, empresarial e pessoal. Aos 74 anos, Mársico foi encontrado morto dentro de casa com sinais de violência, em um caso que está sendo investigado pela Polícia Civil como possível latrocínio — roubo seguido de morte. Um desfecho brutal e inesperado para uma das figuras mais conhecidas do cenário político e empresarial da cidade.

Vanderlei Mársico deixa para trás uma biografia complexa, marcada por feitos pioneiros, decisões ousadas, altos e baixos no poder público, além de escândalos recentes que minaram sua imagem política. Mas, independentemente da opinião que se tenha sobre ele, é impossível ignorar a sua influência sobre o desenvolvimento político, midiático e econômico de Taquaritinga nas últimas décadas.

Um pioneiro nas comunicações e um político persistente

Fundador da Rádio Canal Um, emissora FM de Taquaritinga. A rádio se expandiu com força, atingindo mais de 180 municípios e contribuindo para a pluralidade da comunicação regional. Ao mesmo tempo, construiu um império empresarial que incluiu nomes como Tecmar, Graciela e Intercanal, consolidando sua posição entre os principais empresários da região.

Na política, sua jornada teve início na Câmara Municipal, onde exerceu três mandatos consecutivos (2001–2012), chegando à presidência da Casa entre 2005 e 2006. Sua eleição à prefeitura, em 2016, foi vista como a coroação de um projeto de longo prazo — ele já havia tentado o cargo em 2012, ficando em segundo lugar. Sua reeleição em 2020, com quase 50% dos votos, consolidou seu prestígio junto a parcela significativa da população, que via nele um gestor combativo e de presença constante.

Uma gestão que terminou sob sombra de escândalos

No entanto, o segundo mandato de Vanderlei Mársico não terminou como esperava. Em 2024, foi afastado do cargo por decisão judicial, em abril deste ano foi condenado por improbidade administrativa. A Justiça suspendeu seus direitos políticos por 12 anos, alegando que sua gestão favoreceu empresas por meio de fraudes em licitações. A Promotoria apontou a existência de contratos superfaturados, empresas “campeãs de pregões” com propostas artificiais e serviços prestados de forma duvidosa.

Em abril deste ano, o Tribunal de Justiça de São Paulo determinou o bloqueio de R$ 38 milhões em bens de empresários e do próprio Mársico. O Ministério Público afirma que houve favorecimento indevido a fornecedores, com pagamentos antecipados, cobranças excessivas e vícios na contratação de serviços para manutenção de máquinas e veículos públicos. Relatórios do Tribunal de Contas do Estado reforçaram as suspeitas, com indícios de má gestão e desorganização fiscal.

A defesa do ex-prefeito negava qualquer desvio de verba para fins pessoais, argumentando que as irregularidades tinham natureza contábil e que foram agravadas por bloqueios judiciais para pagamento de precatórios — uma justificativa que não convenceu a Justiça, mas que ainda gera debate na opinião pública local.

Entre admiração e críticas: o legado de um personagem controverso

Mársico era um político de personalidade forte, voz impositiva e presença carismática. Era comum vê-lo nas ruas, nos eventos e — principalmente — no rádio, onde gostava de dialogar diretamente com a população. Para seus apoiadores, foi um prefeito atuante, que investiu em obras e manteve a cidade em funcionamento mesmo sob dificuldades fiscais. Para os críticos, sua gestão foi marcada pela centralização de decisões, por polêmicas administrativas e por uma série de práticas questionáveis que comprometeram a transparência.

É inegável que Vanderlei Mársico deixou sua marca. Sua história se entrelaça com os últimos vinte anos da vida pública de Taquaritinga, seja como empresário, legislador ou prefeito. Com sua morte repentina e trágica, encerra-se um capítulo de intensidade na política local.

Um caso que exige respostas

O fato de a Polícia Civil trabalhar com a hipótese de latrocínio — roubo seguido de morte — torna o caso ainda mais delicado. A sociedade taquaritinguense, independentemente de filiação política ou posicionamento pessoal, merece respostas rápidas, claras e fundamentadas sobre as circunstâncias do crime.

É papel do jornalismo acompanhar de perto a investigação, sem prejulgamentos ou sensacionalismo, mas com o compromisso ético de manter a população informada. E é papel da sociedade lembrar que nenhuma trajetória, por mais controversa que tenha sido, merece um desfecho marcado pela violência.

A redação de O Defensor se solidariza com a família enlutada, especialmente ao seus 7 filhos, netos e netas, irmãos e sobrinhos e sobrinhas.