sábado, 30 maio, 2026

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Nossa Palavra – Cultura com voz e vez

Em tempos de tanta descrença nas políticas públicas, quando a participação popular parece, muitas vezes, apenas um discurso protocolar, a cidade de Taquaritinga surpreende positivamente ao colocar em prática o que há de mais essencial na democracia: o diálogo. A reunião pública realizada no último sábado (14/06) no Cine Teatro São Pedro, que definiu a destinação dos recursos da Lei Aldir Blanc, foi mais que um evento técnico. Foi uma aula de escuta ativa, participação cidadã e compromisso com a cultura local.

Com a presença de artistas, produtores culturais e representantes da sociedade civil, o encontro selou o destino de R$ 389.750,00 que serão investidos na cultura da cidade por meio da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB). Mas mais do que os números – que por si só são significativos – o que merece destaque é o método: uma construção coletiva, transparente, embasada em critérios legais, mas também sensíveis às demandas reais da classe artística local.

A divisão dos recursos reflete equilíbrio e bom senso. Os 62% destinados a editais para produções artísticas mostram que a prioridade é fomentar a criação e circulação cultural, oxigenando a cena com novos projetos. A escolha de contemplar 33 prêmios indica um esforço de distribuição mais ampla, o que é crucial para atingir diferentes linguagens e perfis de artistas. Já os 25% reservados para Pontos de Cultura honram a resistência e a relevância dos coletivos que atuam na base, muitas vezes em contextos periféricos ou com públicos invisibilizados. E, finalmente, os 13% para a manutenção do Cine Teatro São Pedro – um dos símbolos culturais da cidade – revelam sensatez: não há política cultural duradoura sem espaços culturais em funcionamento.

Neste cenário, a atuação da Secretaria Municipal de Cultura e Turismo deve ser reconhecida e valorizada. Conduzir um processo como esse com seriedade, sem imposições, ouvindo de fato os artistas, é mérito de uma gestão que compreende que cultura não se impõe: se constrói com afeto, técnica e participação.

Claro, os desafios não acabam aqui. O próximo passo será garantir que os editais sejam claros, acessíveis e executados com agilidade e lisura. A burocracia não pode ser um empecilho para quem cria. Também será fundamental assegurar que os prêmios contemplem diversidade de expressões e de territórios dentro do município, fortalecendo a pluralidade cultural que marca Taquaritinga.

Ainda assim, o que se viu no último sábado foi promissor. Em meio a tantas cidades que tratam a cultura como gasto ou favor, Taquaritinga mostra que investir em arte é investir em pertencimento, em identidade, em desenvolvimento social. E mais: mostra que quando os artistas têm voz, o resultado é uma política mais justa, criativa e enraizada.

Que esse momento não seja exceção, mas regra. Que a escuta e a construção coletiva sejam práticas permanentes, e não apenas exigências legais. Porque a cultura agradece – e a cidade floresce.