Cerimônia realizada em 7 de julho de 1957 marcou a consagração da nova igreja e a ordenação sacerdotal do padre Pedro Gerson Zaninari
Nesta segunda-feira, dia 7 de julho, a comunidade de Jurupema, distrito de Taquaritinga, relembra um dos momentos mais significativos de sua história religiosa: a bênção da nova Igreja Matriz de São João Batista, realizada em 1957 pelo então Bispo Diocesano de São Carlos, Dom Ruy Serra. A cerimônia marcou a consagração do novo templo, construído em formato redondo, rompendo com o estilo tradicional das igrejas locais, e também foi palco da ordenação sacerdotal do padre Pedro Gerson Zaninari.
Jurupema, em sua área central, abriga duas igrejas: a dedicada ao seu padroeiro, São João Batista, e a de Santo Antônio, ambas erguidas nas décadas de 1920 e 1930, respectivamente. Construídas no estilo retangular, com quatro paredes e uma torre para os sinos, essas edificações se destacavam como símbolos da religiosidade local. No entanto, com o passar dos anos, a igreja de São João Batista apresentou sérios problemas estruturais, oferecendo risco de desabamento.
À época, a paróquia de Jurupema estava subordinada à Paróquia de São Sebastião, em Taquaritinga, cujo vigário era o enérgico e determinado padre Lourenço Cavallini. Diante do estado precário da antiga igreja, padre Cavallini tomou a controversa decisão de demolir o antigo templo e erguer, no mesmo local, uma nova construção, desta vez com projeto arquitetônico circular, algo incomum para a época e que dividiu opiniões entre os moradores.
Apesar da resistência de parte da população, a visão do vigário prevaleceu. A nova matriz redonda foi concluída com o apoio de uma comissão de construção formada por lideranças locais. A presidência ficou a cargo do próprio padre Cavallini, tendo como vice-presidente Primo Arioli, tesoureiro José Martinho Arnoni, 1º secretário professor Oswaldo Andrade Lacerda e 2º secretário Antenor Arioli. Os festeiros que participaram da solenidade foram Ângelo e Maria M. Zocarato, José Orlandi Neto, Takashi Kamada e Rachid Gabriel.
A cerimônia de bênção da nova matriz e de ordenação do padre Zaninari reuniu fiéis da região, marcando não apenas a inauguração de um novo espaço físico de culto, mas também a renovação do compromisso da comunidade com a fé católica. O formato arquitetônico inovador da nova igreja se tornou um símbolo de modernidade e ousadia, e até hoje é reconhecido como um dos marcos arquitetônicos e religiosos do distrito.
A história da construção da nova Matriz de São João Batista foi registrada por Milve Peria, historiador local já falecido, e segue viva na memória dos moradores de Jurupema. Sessenta e oito anos depois, a igreja redonda permanece como testemunha de um momento de decisão e transformação, fruto da coragem de um pároco e do envolvimento de uma comunidade que, mesmo diante das divergências, ergueu com fé e dedicação um dos seus maiores símbolos religiosos.




