Associação cobra mais informação e capacitação de profissionais de saúde após episódio envolvendo pessoa autista durante atendimento
A Associação de Amigos do Autista de Taquaritinga e Região (AMA-TQ) divulgou nesta semana uma nota de repúdio relacionada a um episódio ocorrido no dia 11 de março, na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Taquaritinga, envolvendo o atendimento a uma pessoa autista adulta, classificada com nível 1 de suporte e com outras comorbidades associadas.
De acordo com o comunicado divulgado pela entidade, a pessoa procurou atendimento médico utilizando o colar de identificação do autismo, um recurso adotado por pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) para facilitar o reconhecimento da condição e contribuir para um atendimento mais adequado às suas necessidades. Durante o atendimento, no entanto, o paciente teria se sentido constrangido e desrespeitado após uma fala considerada inadequada, atribuída a uma profissional de enfermagem da unidade.
Segundo o relato apresentado pela associação, a profissional teria afirmado não concordar com o uso do colar de identificação, além de fazer comentários questionando o diagnóstico de autismo. Entre as declarações mencionadas na nota, a profissional teria afirmado que “hoje em dia tudo é autismo” e associado de forma equivocada o transtorno a questões relacionadas à alimentação.
Para a AMA-TQ, episódios como esse geram indignação e preocupação, especialmente por terem ocorrido em um ambiente de atendimento em saúde, que, segundo a entidade, deveria ser um espaço voltado ao acolhimento, respeito e cuidado com todos os pacientes. A associação ressaltou que a situação foi comunicada no momento do ocorrido e que a responsável presente informou que seriam realizadas orientações à profissional envolvida.
No entanto, a entidade destacou que medidas pontuais não são suficientes diante da necessidade de ampliar o conhecimento sobre o tema. Segundo a AMA-TQ, é fundamental que haja informação, sensibilização e capacitação contínua dos profissionais, sobretudo daqueles que atuam diretamente no atendimento ao público, como nas áreas da saúde e assistência.
A associação também enfatizou que o Transtorno do Espectro Autista é uma condição reconhecida pela ciência e respaldada pela legislação brasileira, sendo importante que os serviços públicos estejam preparados para oferecer atendimento adequado às pessoas autistas. Nesse contexto, o uso de elementos de identificação, como o colar do autismo, é considerado uma ferramenta que auxilia no reconhecimento da condição, permitindo prioridade, compreensão e abordagem mais humanizada.
Ao final da nota, a AMA-TQ reafirmou seu compromisso com a defesa dos direitos, da dignidade e do respeito às pessoas autistas e suas famílias, destacando a importância de transformar situações como essa em oportunidades de reflexão e avanço social. Para a entidade, a ampliação do debate e da conscientização é essencial para a construção de uma sociedade mais informada, empática e inclusiva.
Até o momento, não houve manifestação pública oficial da UPA de Taquaritinga ou da administração municipal sobre o episódio relatado pela associação.



